Pela primeira vez, desde que o Banco Central (BC) faz esse levantamento, em maio o crédito chegou a 50,1% do PIB. Há um ano não ultrapassava 45,7% – o que mostra a velocidade de sua expansão, que preocupa, com razão

Pela primeira vez, desde que o Banco Central (BC) faz esse levantamento, em maio o crédito chegou a 50,1% do PIB. Há um ano não ultrapassava 45,7% – o que mostra a velocidade de sua expansão, que preocupa, com razão, o Banco de Compensações Internacionais (BIS na sigla em inglês). Temos de convir que isso é consequência da decisão do governo de forçar uma redução das taxas de juros e de mobilizar os bancos oficiais para pressionar as instituições privadas.

Nos 12 meses fechados em maio, a oferta de crédito cresceu 18,3%, sendo 19,5% para as pessoas físicas e 17,2% para as jurídicas. Podemos calcular que dificilmente o PIB neste ano ultrapassará 2,5%, o que mostra a defasagem preocupante entre o crédito e o PIB, mesmo que o crédito cresça apenas 15% neste ano – como avaliam as autoridades monetárias.

Os dados válidos até 14 de junho divulgados pelo BC indicam que até agora a expansão continua e, em relação ao PIB, deve atingir 52%. Os bancos públicos deverão acusar um aumento de carteira que passará de 19% para 21%, enquanto o das instituições privadas nacionais recuará de 12% para 10% e o das estrangeiras ficará estável com 13%. As instituições privadas nacionais, que enfrentam uma forte queda de rentabilidade, devem ser muito cautelosas ante a elevação da inadimplência das famílias, procurando beneficiar o crédito consignado, cujas concessões, só no mês de maio, cresceram 30,8%.

Nas operações de crédito referenciais para as taxas de juros, as operações para as pessoas físicas cresceram, em 12 meses, 16,6%, e para as pessoas jurídicas, 19,4%. Isso se explica quando se verifica que, em maio, a inadimplência das empresas ficou estável em 4,1%,enquanto no caso das famílias passou de 7,8% a 8% na margem. Enquanto para as primeiras as concessões acumuladas aumentaram, em maio, na margem de 10,3%, para as segundas o crescimento foi apenas de 5,4%, fato que revela bem as preocupações dos bancos.

Pela primeira vez, o Banco Central parece se preocupar com o aumento da inadimplência, embora acredite que a situação melhorará no segundo semestre. Destaca-se que, para compra de veículos, se registrou, em maio, a primeira queda de inadimplência, de 8,6% para 8,5%.

Vale lembrar que as estatísticas de crédito do BC não estão incluindo as operações com cartão de crédito, mas apenas os atrasos no pagamento de financiamentos, que aumentaram 10,7% em um ano. O BIS tem alguma razão de se preocupar.

Fonte: O Globo