Já a restrição ao trigo argentino tem impacto reduzido

pao-trigoCom alta acumulada de 15% em 12 meses, o preço do pãozinho deve continuar pressionado pelo dólar nos próximos meses. Já a decisão do governo argentino de restringir a exportação de trigo para controlar o preço do alimento no país já não pesa tanto na inflação do produto no Brasil. Diante da quebra da safra do país vizinho – principal fornecedor de metade das cerca de 10,5 milhões de toneladas de trigo consumidas aqui – o governo autorizou a compra de dois milhões de toneladas de Estados Unidos e Canadá, sem a tarifa de importação de 10% que incide sobre o produto e sobre o transporte. A medida amenizou o custo para os moinhos e supriu a falta do trigo argentino.

– A Argentina é sempre uma surpresa, mas nosso problema hoje não é falta de trigo. A safra russa foi muito boa, os preços no mundo não vão subir. O que está pressionando no Brasil é o câmbio. Estamos comprando trigo em dólar e não há como repassar para o preço da farinha – diz Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico e conselheiro da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).

Segundo ele, só este ano, a farinha de trigo nos moinhos já subiu quase 30% e, para o consumidor, a alta foi de 15,85%, segundo dados do IBGE. O pão francês, que tem 25% do custo vinculado à farinha ficou 5,39% mais caro até junho, bem mais do que os 3,15% do IPCA. Nos últimos 12 meses, a alta do pãozinho chega a 15,04% contra 6,70% da taxa de inflação. Já o macarrão, que tem cerca de 60% do seu custo oriundo da farinha, subiu 9,76% este ano e 14,63% nos últimos 12 meses.

– E os preços vão continuar subindo a não ser que haja um pacto do governo para que o dólar volte a ficar em torno de R$ 2. A gente está importando hoje e paga na hora. De julho de 2011 até agora, a moeda já subiu 45% e isso impacta toda a cadeia de alimentos – diz Pih.

Ontem a moeda americana fechou a R$ 2,22 na venda.

De março até agora, a Companhia Brasileira de Abastecimento (Conab) já vendeu 487 mil toneladas de trigo do estoque regulador para suprir o mercado interno. No último leilão, realizado quinta-feira passada, foram vendidas 101,9 mil toneladas, e o valor ficou 20% acima do da abertura do pregão. Dia 18, serão leiloadas as últimas 6 mil toneladas. A partir de agosto, com a safra nacional, a Conab volta a comprar para recompor seus estoques.

safra brasileira será maior

Este ano, a safra brasileira do grão deve chegar a 5,7 milhões de toneladas, contra 4,2 milhões de 2012. Ainda assim, o câmbio deve pressionar os preços, já que o trigo é cotado em dólar, e o Brasil é exportador. Isso acontece porque nem todo o trigo tem qualidade para ser usado na produção de pão. Boa parte é destinada à fabricação de massas e biscoitos e, como não há demanda suficiente no mercado interno para este tipo, parte é direcionada ao mercado externo.

Fonte: O Globo