Porém o valor anual deve cair 36%, estima a consultoria Thompson Reuters Point Carbon

As negociações nos mercados de carbono ao redor do globo continuarão a crescer, subindo 13% para 9,5 gigatoneladas de CO2e, porém o valor anual deve cair 36%, estima a consultoria Thompson Reuters Point Carbon.

Grande parte do crescimento nos volumes de 2012 virá da transação de sete bilhões de permissões de emissão da União Europeia (EUAs, em inglês) e 2,2 bilhões de Reduções Certificadas de Emissão (RCEs), impulsionada pelas atividades de hedging das usinas de energia e de gestão de portfólio, ao passo em que termina a segunda fase e inicia a terceira no mercado europeu.

Como as RCEs de gases industriais serão banidas a partir de 2013, podendo ser usadas apenas para o cumprimento de metas da segunda fase do esquema europeu de comércio de emissões (EU ETS), 2012 deve apresentar volumes maiores de comercialização destes créditos no mercado secundário.

No próximo ano, as RCEs de N2O e ácido adípico ainda devem ser negociadas no mercado bilateral (transações diretas entre compradores e vendedores), obviamente com preços menores do que as RCEs ainda aceitas no EU ETS, como as provenientes de projetos de energias renováveis, comentou Carina Heimdal, da Thompson Reuters Point Carbon.

“No próximo ano, a atividade nos mercados secundários de RCEs deve cair em 40%, enquanto no mercado primário prevemos atividades limitadas nos próximos três anos”, completou.

Ou seja, mesmo que a atividade caia no mercado secundário (em bolsas ou através de corretores), ainda haverá movimentação para compra de RCEs diretamente dos desenvolvedores de projetos (mercado primário), explica Carina ao ser questionada pela CarbonoBrasil.

A Point Carbon prevê que a partir de 2013, o volume dos mercados globais comece a estagnar devido à esperada próxima onda de programas de redução de emissões que tendem a iniciar em 2015, como na Austrália, China e Coreia do Sul.

A expectativa é que o valor total do mercado caia 36% em 2012 para € 61 bilhões.

“Projetamos que os preços permaneçam deprimidos por algum tempo. Entretanto, esperamos que as incertezas políticas, especialmente relacionadas à proposta de retirada de EUAs do mercado, voltarão a ser um dos principais condutores dos preços das EUAs neste ano”, comentou Carina.

Ela ressalta que o quadro não é totalmente obscuro, e que apesar de o mercado europeu não estar na sua melhor forma, na América do Norte os esquemas de controle de emissões terão as maiores taxas de crescimento em termos relativos, com volumes que devem alcançar 200 milhões de toneladas em 2012, o dobro do ano passado e o equivalente a € 607 milhões.

Os mercados a que ela se refere são os esquemas da Califórnia e Quebec, incluídos na Western Climate Initiative (WCI) e que entram em vigor oficialmente em 2013. Além disso, a Point Carbon espera que a revisão prevista para a Iniciativa Regional de Gases do Efeito Estufa (RGGI, em inglês) resulte na redução do limite de emissões, o que levou aos preços ínfimos sob esta iniciativa, que foi a primeira a entrar em ação nos Estados Unidos.

Fonte: Instituto Carbono Brasil / Point Carbon