Com características valorizadas pelo mercado, sêmen de touros da raça foi o segundo mais procurado no país em 2011

O apelo do consumidor por uma carne bovina mais macia e suculenta se reflete no campo. Aliando as duas qualidades, a raça angus teve um crescimento de 108,42% no número de doses de sêmen nos últimos três anos. A expansão é reflexo de incentivos financeiros aos produtores, que vendem o gado para o abate com incremento de até 15% no preço. No relatório divulgado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), o sêmen de touros angus é o segundo mais procurado no país, com mais de 2 milhões de doses. Perde apenas para a raça nelore, que supera as 3 milhões.

– O nelore ainda será líder por muito tempo porque o rebanho é muito maior e é uma raça mais comun no país, mas a inseminação feita com angus é a que mais cresce em proporção – explica o vice-presidente da Asbia, Marcio Nery.

A opção se justifica pelo estímulo financeiro aos criadores. Frigoríficos pagam prêmios que variam entre 3% e 10% para os machos e entre 3% e 15% para as fêmeas destinadas ao abate. Os valores são acrescidos no preço final pago por animal, e variam conforme a terminação – peso, tamanho e índice de gordura.

– O negócio é bom para os frigoríficos porque a carne angus é mais valorizada nos supermercados e é a preferida de algumas redes de fast food – aponta Fábio Medeiros, coordenador técnico do programa de carne certificada da Associação Brasileira de Angus (ABA).

O programa, que organizou produtores e indústria, fez a venda de exemplares certificados dar um salto, dos 24 mil animais em 2002, para 180 mil em 2011. O aprimoramento da genética também é responsável pela evolução.

– Os produtores utilizam nas vacas o sêmen de touros brasileiros ou britânicos, de boa genética, e que fica estocado em bancos, o que aprimora a raça – explica Reynaldo Titoff Salvador, diretor do Programa Carne Angus Certificada.

Na Fazenda Calafate, em Rio Grande, a criação da raça não obedece apenas a uma regra de mercado. É tradição, que começou há 56 anos com o pai da médica e produtora rural Ana Carolina Ferreira Kessler. A aposta realizada na época, quando o zebuíno dominava o mercado, garante hoje o sucesso dos negócios.

– É uma raça completa, com vantagens da produção à mesa do consumidor. São vacas de tamanho médio, de menor exigência nutricional e com potencial de desmame anual de terneiros – explica Ana Carolina, que administra os negócios e também é presidente do Núcleo Sudeste de Angus.

Fonte: Zero Hora