O cultivo de pupunha permite padronização

Vantagem: ao contrário do palmito comum, o pupunha não escurece. Foto: Ernesto de Souza
Vantagem: ao contrário do palmito comum, o pupunha não escurece. Foto: Ernesto de Souza

O consumo de palmito está crescendo no Brasil – apesar dos altos preços praticados no mercado. Mais precisamente, o palmito cultivado anda roubando espaço do palmito de extrativismo, o tradicional na mesa dos brasileiros.

Pesquisa da consultoria Nielsen encomendada pela Inaceres, empresa líder no setor, mostra que a participação do palmito pupunha (cultivado) no mercado nacional pulou de 19,5% em 2009 para 24% em 2010, com tendência altista em 2011. Ao mesmo tempo, o palmito de extrativismo recuou de 80% para 76% em participação de mercado. Apesar da distância ainda grande, é uma sinalização importante, que segue uma tendência já consolidada nos demais países produtores.

Mundialmente, o mercado para palmitos movimenta R$ 350 milhões. O Brasil representa a maior parte disso – 74,3%, conforme a pesquisa, com estimadas 45 mil toneladas de palmito por ano. Mas se a aceitação do produto já era grande, a renda mais alta do brasileiro fez o apetite ficar ainda maior.

Entre os palmitos mais comercializados estão o juçara e o açaí – de extrativismo – e o pupunha, que é cultivado. Mas o que acontece agora é que o cultivado cresce a uma média maior que os demais, “carregando” a expansão do segmento como um todo, diz Ricardo Ribeiral, diretor-superintendente da Inaceres, empresa do grupo Agroceres, maior produtora de palmito cultivado do país.

Somente o grupo Pão de Açúcar – que diz ser o maior vendedor de palmitos no país – registrou alta de 15% do segmento nesse mesmo período, com destaque para os palmitos orgânicos (cultivados sem agrotóxico).

Em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, por exemplo, a pesquisa apontou um crescimento de vendas de 481% do palmito cultivado entre 2009 e 2010, enquanto o segmento como um todo cresceu 42%. A região Sul, maior compradora do palmito extrativo juçara, também está mudando seu hábito de consumo: a demanda por palmitos de extrativismo recuou 5,4% no mesmo período, contra uma alta de 78% do cultivado.

O Brasil é o principal produtor e consumidor mundial de palmito. Grande parte da produção nacional ainda fica no mercado interno e, talvez, por isso ainda tenha origem extrativista, legal e ilegal.

Na sequência vêm Costa Rica e Equador, cuja produção é voltada quase que inteiramente aos mercados americano e europeu. “A diferença é que nesses países o palmito cultivado representa 90% da produção exatamente porque eles vão para fora”, afirma Ribeiral. “Só que essa tendência vai chegar ao Brasil também”.

Segundo o executivo, isso se explica por dois motivos. Um deles é que a produção cultivada permite controles agrícola e industrial que padronizam a qualidade do palmito. É menor, por exemplo, o risco de se encontrar em um mesmo frasco palmitos com espessuras diferentes. A preocupação com a questão ambiental também estimula o consumo do palmito cultivado.

“Sem dúvida, isso é um fator. O consumidor está olhando mais para o rastreamento e a origem do produto que consome”, diz Ribeiral. Apesar de não haver números confiáveis, especialistas confirmam que a extração ilegal de palmito ainda é alta no Brasil.

O consumo só não é maior por causa dos preços cobrados nas gôndolas brasileiras. Isso se explica, segundo a indústria, pela necessidade de muita mão de obra, já que a colheita é feita manualmente e o nível de automação nas lavouras é baixo. Em média, são empregados um homem para cada quatro hectares plantados.

O segmento de palmitos é altamente pulverizado. Há hoje cerca de 170 empresas trabalhando no país. De acordo com a Nielsen, a Inaceres mantém a liderança no mercado de palmito em conserva do Brasil, com 7,9% de participação. Com 1.400 hectares plantados – 850 próprios – no sul da Bahia, a empresa produz em média 8 milhões de hastes por ano.

Fonte: Agroceres