Cinco indicações de uso para a pupunheira: frutos para consumo humano, fabricação de farinhas para panificação, biodiesel, produção de palmito de boa qualidade e como componente na fabricação de ração

pupunheiraA pupunheira (Bactris gasipaes Kunth, var. gasipaes Henderson) ainda é comercialmente subutilizada, apesar de ser uma espécie multiuso e a única palmeira cujas populações na América Tropical são consideradas domesticadas ou em domesticação. Para a agricultura dos trópicos úmidos, pelo menos cinco alternativas de uso têm sido indicadas para a pupunheira: frutos para consumo humano direto, fabricação de farinhas para panificação, extração de óleo vegetal para biodiesel, produção de palmito de boa qualidade e como componente na fabricação de ração balanceada para animais monogástricos e ruminantes. A madeira – proveniente de plantas adultas e improdutivas – e as sementes são matéria-prima valorizada na fabricação de produtos artesanais.

Nesse contexto, a Embrapa Rondônia (Porto Velho) vem conduzindo projetos de pesquisa com a pupunheira considerando: frutos frescos para consumo humano; frutos com alta potencialidade para extração de óleo para produção de biodiesel; matéria-prima para fabricação de ração animal e seleção de pupunheiras superiores para produção de palmito de boa qualidade.

Frutos para consumo
Considerada como uma das palmeiras de uso múltiplo em futuro próximo, atualmente, a produção de frutos comestíveis in natura de pupunha é direcionada exclusivamente para subsistência das populações nativas, mercados locais ou regionais. Sendo assim, as informações disponíveis sobre os recursos genéticos da pupunheira para produção e qualidade de frutos ainda são restritas.

As principais características consideradas para orientar a pesquisa na seleção de fruto fresco de pupunha são: cachos médios a grandes; frutos de tamanho médio, preferencialmente com mesocarpo (polpa) carnosa, pouco fibrosa, textura firme a média, oleoso a moderadamente oleoso, cor da casca de vermelha a alaranjada, fácil cozimento e descascamento dos frutos.

Produção de biodiesel e ração
No atual cenário de prospecção e domesticação das plantas chamadas de “oleaginosas alternativas”, é impressionante que as populações de pupunheira, que se diferenciam pela alta produtividade de frutos e pelo processo de domesticação avançado, tenham atraído apenas esforços pontuais da pesquisa agrícola. Associado ao vigor das plantas e à tolerância ao déficit hídrico temporário de algumas regiões da Amazônia brasileira, a pupunheira tem potencial para produção de óleo superior a muitas outras espécies oleaginosas, podendo inclusive, substituir o dendê em áreas com menor incidência de chuvas. Essa potencialidade resulta da seleção natural e da ação dos indígenas, no passado, visando à adaptabilidade da pupunheira aos aspectos desfavoráveis, tanto químicos quanto físicos, do solo e à deficiência hídrica.

Para o aproveitamento integral da potencialidade da pupunheira para a extração de óleo, e a consequente viabilidade agroeconômica da atividade, é fundamental a seleção de plantas que apresentem boa produtividade de frutos, com alto teor de matéria seca associada à alta porcentagem de óleo. Outro diferencial é o subproduto da extração do seu óleo, uma torta rica em amido (aproximadamente 65%), fibras (cerca de 15%), proteínas (em torno de 15%), cinzas e outros (5%) que pode ser usada na fabricação de ração animal, diminuindo a dependência regional das rações industrializadas à base de milho e soja.

Por ser uma espécie nativa, a pupunheira pode ser usada para a recomposição da Área de Reserva Legal nas propriedades rurais, em cultivo solteiro ou consorciado, podendo tornar-se uma alternativa viável e racional para a produção comercial de frutos destinados a extração de óleo e subprodutos.

O projeto de pesquisa “Sistema de produção de pupunha para a produção de frutos em regime de agricultura familiar”, visa definir alternativas tecnológicas de produção de baixo custo, compatível com a realidade do produtor rural, como forma de aumentar a segurança dos investimentos no empreendimento agrícola. As ações do projeto, iniciadas em 2008, contemplam a avaliação nutricional das plantas por meio de níveis de adubação química, monitoramento e controle da ocorrência de insetos-pragas, doenças e plantas invasoras, métodos de colheita e pós-colheita, produtividade, controle e análises dos custos variáveis de produção e comercialização. Dessa forma, o objetivo é publicar um sistema sustentável de produção visando racionalizar o cultivo da pupunheira.

O mesmo projeto contempla a avaliação de frutos de pupunha provenientes dos mercados de Porto Velho, de maior potencial para mesa e extração de óleo, visando selecionar plantas com características de frutos mais adequadas, de maior teor de matéria seca e de óleo e menor teor de fibras e amido.

A identificação de matrizes de maior potencial para produção de frutos poderá ser utilizada para compor uma cultivar de propagação por sementes ou clonal (propagação vegetativa), para produção de frutos para consumo humano ou produção de biodiesel.

Avanços na propagação vegetativa
A propagação clonal da pupunheira por métodos tradicionais (enraizamento de perfilhos) é demorada e apresenta baixo índice de sucesso. Com o objetivo de desenvolver uma cultivar clonal de pupunheira, está em andamento, no Laboratório de Cultura de Tecidos da Embrapa Rondônia, uma pesquisa para estabelecimento de metodologias para a propagação vegetativa in vitro.

Fonte: Portal Dia de Campo