Ministro defende redução do custo financeiro das operações, ainda alto

Com a estiagem no Sul do país e a possibilidade de quebra de safra de milho, soja e feijão, o Banco Central (BC) mudou as regras para os compulsórios sobre depósitos à vista para beneficiar os agricultores. O BC liberou parte do dinheiro dos correntistas que os bancos são obrigados a deixar parados nos cofres da autoridade monetária para que possam financiar o setor. A medida pode elevar em R$3 bilhões o crédito rural. Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que, para a economia brasileira crescer entre 4% e 5% este ano, será necessário aumentar o crédito de 15% a 17% e reduzir o custo dos financiamentos.

— Temos de expandir o crédito e reduzir o custo financeiro, que ainda está elevado. Esta é a meta que estamos dando para a área financeira do governo. O crédito, hoje, está em 48,5%, 49% do PIB, são R$2 trilhões de crédito. Temos de crescer de 15% a 17% do crédito no Brasil, em 2012 — disse Mantega em reunião ministerial.

No Ministério da Agricultura, a previsão é que, mesmo com a produção menor, não haja desabastecimento. A preocupação agora é o impacto na inflação. O milho por exemplo, é usado como ração de boi, porco, frango e peixe. Se a alimentação do animal fica mais cara, o repasse para o preço da carne é imediato.

Nos cálculos do ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas, se a economia brasileira crescer 5%, essa quebra de safra pode significar um aumento de 0,5 ponto percentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A previsão do mercado é de uma inflação em 5,29% neste ano, acima da meta de 4,5%.

A decisão foi tomada em reunião extraordinária da diretoria do BC e entrou em vigor ontem mesmo. Também será possível abater operações feitas no início do ano, quando os efeitos climáticos foram mais fortes.

Fonte: O Globo