As emissões de gases de efeito estufa pelo uso da terra, seja na Agricultura ou na criação de gado, vêm diminuindo substancialmente

mudancasclimaticas“A temperatura média no país subiu 0,8 grau. O ciclo biológico da Amazônia está diferente”, disse Carlos Nobre.

” Os sinais das mudanças climáticas já são visíveis no Brasil”. A afirmação, do secretário de Políticas e Programas de pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação, Carlos Nobre, deu o tom dos debates da 4ª Conferência Cidades Verdes, realizada, na semana passada, no auditório da Firjan, no Rio de Janeiro. Durante dois dias, os palestrantes do evento, promovido pelo Instituto OndAzul, discutiram as melhores estratégias para as cidades enfrentarem os eventos climáticos que acontecerão em decorrência do aquecimento global. Temas como lixo, emissão de gases de efeito estufa, mobilidade e arquitetura verde foram lembrados em oito painéis.

– A temperatura média no país subiu 0,8 grau. O ciclo biológico da Amazônia está diferente. Entre 2005 e 2014, a região enfrentou as duas maiores secas e as três maiores enchentes do período histórico. As pessoas já observam o que os cientistas preveem há anos – afirmou Nobre, um dos maiores especialistas brasileiros em questões de clima.

Nobre destacou que, na luta pela preservação, apesar das vitórias, ainda há um longo caminho a percorrer. Ele observou, por exemplo, que, hoje, na Amazônia, já é visível a separação entre a economia Agrícola e o Desmatamento – tanto que a área devastada diminui ano a ano. O uso de madeira ilegal também diminuiu, mas, em compensação, áreas maiores estão sendo utilizadas para a criação de gado.

– O fato é que 70% da carne produzida na Amazônia são consumidos fora da região. Os compradores desses produtos precisam estar alertas e evitar adquirir mercadorias produzidas em áreas de Desmatamento ilegal.

O cientista acrescentou que as emissões de gases de efeito estufa pelo uso da terra, seja na Agricultura ou na criação de gado, vêm diminuindo substancialmente. Nos anos 60, respondia por algo em torno de 40% das emissões totais. Hoje, esse impacto é de 8%.

– Porém, as emissões de fontes fósseis e na produção de cimento não param de aumentar. A Agricultura está mais eficiente. A indústria, não – explicou o secretário.

Num debate sobre mudanças climáticas, naturalmente a dramática situação de São Paulo foi usada como exemplo. Nobre explicou que, cientificamente, ainda não é possível afirmar que o fenômeno está relacionado às mudanças climáticas. Mas acrescentou que a população tem que estar preparada para que esse tipo de evento ocorra com mais frequência.

– Desta vez, foi a maior seca em 60, 70 anos. No futuro, a frequência será de cinco, dez ou 20 anos – lembrou. – São Paulo hoje tem um clima totalmente diferente. Está 3,5 graus mais quente, a umidade diminuiu, chove mais e as tempestades intensas acontecem com frequência de duas a quatro vezes maior.

Nobre considerou a situação alarmante e previu que a crise hídrica no estado continuará em 2015:

– Se chover dentro da média, o Sistema Cantareira estará, em julho do ano que vem, com 10% de sua capacidade. Para resolver o problema, será preciso, daqui até lá, chover 50% ou 60% acima da média.

Fonte: O Globo