O pilar desse novo mercado é o Cadastro Ambiental Rural, mais conhecido pela sigla CAR

carO pilar desse novo mercado é o Cadastro Ambiental Rural, mais conhecido pela sigla CAR. Pelo prazo estabelecido, até meados de 2016, ele deve concentrar informações de todas as 5,8 milhões de propriedades Rurais que cobrem cerca de metade do território nacional. O prazo para o cadastramento começou em maio deste ano e vai até maio do ano que vem, com a possibilidade de um ano de prorrogação. O preenchimento é feito pela internet, mas a informar alguns dados técnicos exige acompanhamento de um especialista em meio ambiente.

Os estados já têm o seu CAR. Mas o governo federal está centralizado as informações num cadastro nacional. Segundo Raimundo Deusdará Filho, diretor do Departamento de Gestão Estratégica do Ministério do Meio Ambiente, a “beleza” do CAR é o georreferenciamento. Além de informações básicas, como nome do proprietário e registro do imóvel, é obrigatório postarima-gens de satélite dafazenda. “O CAR de fato faz uma fotografia da área rural, garantindo que a propriedade não só existe, como está nas condições e no local informados”, diz Deusdará. O governo já comprou imagens de satélite até 2017 para referendar os dados.

O CAR foi desenhado para monitorar e garantir a preservação do meio ambiente. Vai informar o tamanho do passivo ambiental do agronegócio. Hoje estima-se que as fazendas utilizaram irregularmente cerca de 40 milhões de hectares – que precisam ser reflorestados ou compensados com a compra ou o arrendamento de matas, no que o governo batizou de Programa de Regularização Ambiental, o PRA.

O CAR foi projetado para ser uma ferramenta minuciosa, capaz de amparar outros serviços. Já se sabe que terá impacto no sistema de crédito. A partir de 2017, quem não estiver no cadastro não terá acesso a financiamentos agrícolas. O CAR não permite a sobreposição de imagens de satélites, assim. pode contribuir para definir as fronteiras e os donos das propriedades. Hoje o produtor não declara o que cultiva, mas se essa pergunta for incluída no questionário, será possível ter um raio X com o que, onde e como se planta no País. “O CAR trará informações tão completas que não será um mero cadastro, mas um robusto instrumento de políticas públicas”, diz Deusdará.

Fonte: O Estado de S. Paulo