Categoria não consegue aval do governo para fixar tabela de valores para frete

Foto: Ronald Mendes / Agencia RBS
Foto: Ronald Mendes / Agencia RBS

Terminou sem acordo a reunião entre caminhoneiros e governo para tratar da tabela mínima de fretes. Aos gritos de “O Brasil vai parar”, os caminhoneiros se retiraram do auditório da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), ontem à tarde, onde se reuniram com os ministros Miguel Rossetto, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Antonio Carlos Rodrigues, dos Transportes. Os líderes prometeram retomar a greve nas Rodovias em todo o país a partir de hoje. Em fevereiro e março, eles bloquearam as estradas de vários estados do país, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Os caminhoneiros reivindicam uma tabela mínima de frete, que o governo chama de impositiva. Ela determina o valor mínimo da carga que valerá em todo o país. Já a proposta do governo é de uma tabela referencial. Neste caso, o valor da carga seria negociado entre os caminhoneiros e os embarcadores.

O representante dos caminhoneiros autônomos da Região Centro-Oeste, Gilson Baitaca, disse que a tabela do frete mínimo levou em conta vários índices, e os valores variam de acordo com a carga e a distância percorrida.

– A tabela de frete contempla o custo do frete, o mercado fica livre para oscilar dessa tabela para cima. Ela é o piso, que garante a cobertura de todos os gastos do transporte – explicou ele.

ROSSETTO: MESA PERMANENTE

Gilson Baitaca afirmou ainda que a categoria está pronta para começar as paralisações a partir do primeiro minuto de hoje: – As tendas já estão armadas, e a categoria está preparada.

A proposta do governo, na avaliação do representante das regiões Norte e Nordeste, Diego Mendes, de uma tabela referencial de frete, não funciona: – A tabela referencial já foi usada em outros anos, mas não adianta, ninguém cumpre.

O representante dos caminhoneiros autônomos do Paraná, Jamir Botelho, disse que a categoria estava contando com uma tabela mínima de frete, mas a proposta não foi apresentada pelo governo.

– Nós nos sentimos derrotados neste primeiro momento – afirmou.

Já Miguel Rossetto destacou “o conjunto de medidas adotadas pelo governo que beneficiam a categoria e modernizam a atividade”. Segundo o ministro, elas trazem ganhos objetivos, e a ampla maioria apoiaria a tabela referencial. Ele disse ainda que está aguardando as manifestações da categoria e que a tabela mínima de frete não tem respaldo legal.

Segundo Rossetto, não houve acordo em somente um ponto desde que as negociações começaram com os caminhoneiros. Ele explicou as dificuldades para estabelecer uma tabela mínima de frete: – Para o governo e para várias outras lideranças, a tabela impositiva não tem apoio legal e constitucional. E tem enorme dificuldade de ser aplicada. A tabela referencial é um instrumento forte, indutor de um padrão de negociação adequado, que viabiliza a atividade econômica. O governo pretende e ofereceu uma mesa permanente de negociação e diálogo envolvendo os autônomos, os transportadores, motoristas e embarcadores, que no caso são os que contratam estes serviços – disse Rossetto.

Em fevereiro, os caminhoneiros pararam suas atividades em pelo menos sete estados ( Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás) e bloquearam trechos de Rodovias em protesto. A mobilização dos caminhoneiros paralisou a produção na fábrica da Fiat em Betim ( MG), forçou a suspensão das operações em unidades da JBS e ainda afetou as exportações pelos portos de Santos, em São Paulo, e Paranaguá, no Paraná. Algumas cidades enfrentaram problemas de abastecimento de combustível e de alimentos que ficaram mais caros. Os protestos terminaram em 4 de março.

Fonte: O Globo