Novo método é mais econômico, além de reduzir problemas pós-castração e manter a curva ascendente de ganho de peso no rebanho

Apesar de aumentar o preço de venda da carcaça bovina, devido ao aumento da sua qualidade, a castração demanda atenção do produtor, pois pode desencadear problemas pós-cirúrgicos no animal em alguns casos. Os mais comuns são as bicheiras, infecções e, em algumas situações, até a morte. Uma  possível saída que chega ao mercado é a castração imunológica, uma vacina que atua diretamente no cérebro do animal, impedindo a formação de testosterona e, em consequência, castrando o bovino.

— A castração imunológica atua a nível cerebral, impedindo a formação da cascata de hormônio que parte do cérebro. Com isso, a ordem para produzir testosterona não chega ao testículo. Ela é um análogo de GnRH, hormônio produzido no cérebro que desencadeia até chegar à testosterona. Assim, ela corta a formação de GnRH e, em consequência, não há formação de testosterona, ocorrendo a castração do animal sem os problemas da castração cirúrgica — afirma Renato Vieira, médico veterinário da Pfizer.

Segundo ele, um dos principais benefícios é o bem estar animal, uma grande preocupação hoje na pecuária, já que quando sente dor, ele acaba perdendo peso.

— O pecuarista está engordando o gado. Quando ele castra, o animal para de comer, sente dor e começa a perder peso, até se recuperar para começar a ganhar de novo. Com a vacina, a curva continua ascendente, pois não há nenhum transtorno ao animal. Portanto, a castração imunológica tem ainda a vantagem de não quebrar a rota de ganho de peso — explica.

Além disso, a castração cirúrgica precisa de bastante cuidado: o animal precisa estar perto do curral, é preciso a aplicação de medicamentos para evitar o aparecimento de bichos, pus, infeccções e foliculite, por exemplo.

— Já com a castração imunológica, esses cuidados não são necessários. Basta aplicar a injeção e o animal poderá ir a pasto, pois não há qualquer risco depois da aplicação — diz o veterinário.

Ainda de acordo com Vieira, a castração convencional costuma gerar uma média nacional de 14,8% de animais com problemas, entre bicheiras e foliculites. A média de perda desses animais é de 0,3%. Já com a castração imunológica, esses problemas não existem.

No entanto, como toda vacina, a castração imunológica precisa de alguns cuidados, como a conservação correta do medicamento e a não aplicação em animais debilitados sob risco de diminuir sua eficácia.

A aplicação

Segundo o médico veterinário, existem dois protocolos. Um para gado de confinamento, onde se aplica a primeira dose e a repete com 30 dias. A primeira dose serve para preparar o organismo do boi. Ele só estará efetivamente castrado a partir da segunda dose.

— Essa segunda dose tem 90 dias de atuação. Como o principal benefício é o controle do comportamento e o melhoramento da qualidade de carcaça, são necessários alguns dias para que ocorra o acabamento. A vacina não é um hormônio, então, o boi precisa de algum tempo com o animal castrado cirurgicamente para então ir ao abate — conta ele.

Já no gado a pasto, aplica-se a primeira dose, repete-se com 90 dias e o produto tem cinco meses de atuação. Indica-se a castração entre quatro e cinco meses.

Custo x Benefício

— O custo da dose é R$ 8. O custo médio das melhores castrações somadas aos medicamentos gira em torno de R$ 25. Se levarmos em consideração uma fazenda que acabou perdendo o animal, o custo sobe para mais de R$ 100. Portanto, a vacina tem a vantagem do custo fixo e da diminuição de perdas — garante Vieira.

A castração aumenta a qualidade da carne, melhora a textura e aumenta a quantidade de gordura, melhorando a maciez e diminui a acidez. Pelas carcaças de bois castrados paga-se uma média de R$ 2 a mais por arroba, segundo o entrevistado.

— Em um boi de 18 arrobas, são R$ 36 de diferença — conta.

Atualmente, somente uma vacina para castração imunológica está disponível aos produtores em todo o mundo: a Bopriva. Ela foi produzida na Austrália e chegou ao Brasil há aproximadamente um ano, mas começou a ser reconhecida no mercado há pouco tempo, depois das primeiras aplicações em diferentes rebanhos.

— Como em toda vacina, pode ocorrer alguma reação nos animais, seja local ou anafilática. No entanto, a média é de menos de 1% — explica o veterinário.

Fonte: Portal Dia de Campo