As condições climáticas atuais são fortemente influenciadas pela interação entre as condições atmosféricas e oceânicas no Oceano Pacífico

Nos últimos dias quase toda a região Sul do País e o Mato Grosso do Sul têm apresentado menor volume de chuva quando comparados a uma área que vai desde a porção Leste do Mato Grosso, passa por parte do Tocantins, Minas Gerais e chega até o Oeste baiano. A chuva abaixo da média e o calor atípico do período têm favorecido a alta taxa evaporativa do solo, o que tem dificultado um pouco o plantio da soja. Por outro lado, o menor volume de chuva tem favorecido principalmente o plantio do milho e da soja naquela região. Na parte mais ao Sul da Bahia o período mais seco favorece a colheita do cacau.

As condições climáticas atuais são fortemente influenciadas pela interação entre as condições atmosféricas e oceânicas no Oceano Pacífico, que apesar de indicarem ainda a permanência de uma condição limite entre a ocorrência de um fraco evento El Niño e a ocorrência de ENOS (El Niño Oscilação Sul) neutro, indicam também que as atuais condições são cada vez mais favoráveis à ocorrência nos próximos meses de condições de neutralidade atmosférica, ou seja, ENOS neutro (sem El Niño ou La Niña).

Essa condição de neutralidade é normalmente favorecida ao longo do verão, estação que terá início no próximo dia 21 de dezembro, ou seja, climatologicamente falando, a probabilidade de ENOS neutro aumenta com o início da estação do verão (Tabela 1).

Tabela 1 – Valores médios de probabilidades de ocorrência do fenômeno ENSO nos trimestres DJF – dezembro, janeiro e fevereiro; JFM – janeiro, fevereiro e março; e FMA – fevereiro, março e abril. Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) e dados climáticos do INMET/INPE. Deste modo, a EPAMIG não se responsabiliza pelo uso indevido, por parte de terceiros, das informações aqui disponibilizadas.

Em função da atual condição climática para os próximos três meses, 22% dos principais modelos climáticos mundiais ainda indicam possibilidade da ocorrência de um fraco El Niño, enquanto 78% indicam possibilidade de ENSO neutro.

Nesse aspecto é esperado para o final da primavera maior probabilidade de ocorrência de chuvas numa área que ao Norte tem início em Barreiras, no extremo Oeste da Bahia; a Oeste passa por Coromandel, no Triângulo Mineiro; ao Sul alcança São João del-Rei, e ao extremo Leste chega até Colatina, no Espírito Santo. Para o Sul de Minas é esperado que as chuvas ocorram entre a média e um pouco acima da média do período. Nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Sergipe há entre 20% e 30% de probabilidade de a chuva ocorrer no mês de dezembro abaixo da média do período, sendo que para os estados Paraíba, Pernambuco e Alagoas a probabilidade é de até 40%.

Com relação à temperatura, valores acima da média devem ocorrer numa área que se estende desde Piripiri, no Norte do Piauí, chegando até Dom Inocêncio, no Sudoeste piauiense, passando por Chorrocho, no Vale do São Francisco, na Bahia, seguindo na direção Norte até o município de Apodi, no Oeste potiguar.

Em Minas Gerais, as regiões do Jequitinhonha, Vale do Mucuri e do Rio Doce apresentam 20% de probabilidade de a temperatura ocorrer acima da média do período. Na Zona da Mata, os municípios inseridos em uma área de forma aproximadamente triangular que vai desde Tombos, na parte mais abaixo da região, seguem mais acima até São Pedro dos Ferros e alcança Lajinha mais a Leste da Zona da Mata, também apresentam 20% de probabilidade de a temperatura ocorrer acima da média do período. As demais regiões do estado apresentam 30%, sendo que a região do Noroeste de Minas e a parte do Norte do Triângulo Mineiro apresentam 40%.

Com a probabilidade de temperaturas acima da média e as chuvas entre a média e pouco acima desta, os cafeeiros na Zona da Mata Mineira deverão apresentar bom desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. Todavia, o período chuvoso favorece o aparecimento de problemas fitossanitários. Deste modo, os cafeicultores devem permanecer atentos ao acompanhamento de cada talhão de sua lavoura, realizando as pulverizações quando necessárias, bem como aproveitar a umidade do solo para melhorar a fertilidade.

A análise e prognóstico climático aqui apresentado foram elaborados com base na estatística e no histórico da ocorrência de fenômenos climáticos globais e, principalmente naqueles atuantes na América do Sul. Foram consideradas ainda as informações disponibilizadas livremente pelo NOAA, Instituto Internacional de Pesquisas sobre Clima e Sociedade — IRI, Met Office Hadley Centre, Centro Europeu de Previsão de Tempo de Médio Prazo — ECMWF, pelo Boletim Climático da Amazônia elaborado pela Divisão de Meteorologia (DIVMET) do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) e dados climáticos do INMET/INPE. Deste modo, a EPAMIG não se responsabiliza pelo uso indevido, por parte de terceiros, das informações aqui disponibilizadas.

Fonte: Dia de Campo