Caminhando junto ao desenvolvimento da atividade de pecuária de corte no Brasil, o manejo de confinamento há tempos deixou de ser apenas uma opção para o período da seca, tornando-se uma das mais importantes estratégias nutricionais para os pecuaristas

Confinar hoje significa muito mais do que apenas produzir animais no período da entressafra, ou seja, é uma estratégia que permite produzir carne de qualidade, com valor agregado, para diferentes mercados consumidores, e, sobretudo, em qualquer época do ano.

A antiga visão de oportunidade como era encarado o confinamento, hoje se traduz em uma necessidade, e o pecuarista não pode mais se dar o luxo de esperar a natureza para tomar suas decisões.

Nesse contexto, a atividade de confinamento no período das águas passou a ser uma realidade, semelhante à de outras épocas do ano, em que o alicerce primordial é o bom planejamento, ou seja, priorizando antecipadamente a reposição de animais, compra de insumos, e principalmente os manejos, ponto que mais difere este sistema daquele dos confinamentos convencionais.

Considerando a parte de manejos e instalações, a área dos piquetes pode apresentar as mesmas dimensões utilizadas em confinamentos no período seco, desde que apresente declividade mínima (maior que 2%), sendo recomendado neste período o manejo com lotações menores, disponibilizando assim, maior espaço por animal (acima de 20 m2/animal). Na prática, o mais comum é reduzir pela metade a capacidade total de animais por piquete.

Currais totalmente concretados ou que apresentem pelo menos o piso de concreto na beira do cocho (“pé-deboi”) podem reduzir significativamente a umidade em períodos chuvosos.

Concomitantemente às adequações propostas no ajuste de lotação dos piquetes, a utilização de canais de drenagem, frequência na retirada de exterco dos currais e a construção de “murunduns” podem trazer benefícios consideráveis ao bem-estar animal.

Os “murunduns” são estruturas normalmente de terra compactada e cascalhada, localizados no fundo dos piquetes, estabelecendo um ambiente seco e elevado para que os animais evitem o contato direto com o barro. Como parâmetro de espaço, estima-se uma área em torno de 2 m2 a 3 m2 por animal.

Nutricionalmente, os ajustes nos horários e na frequência de abastecimento dos cochos, em conjunto com o adensamento das dietas, primando pela elevação dos níveis de energia, ingestão de matéria seca e adequada mineralização dos animais, também consistem em estratégias fundamentais em condições ambientais adversas.

Quando destacamos as dificuldades ocasionadas em decorrência da formação de barro nos currais, podemos dividi-las em duas partes. A primeira que interfere no desempenho zootécnico dos animais, pautado na influência negativa exercida sobre a ingestão de matéria seca e ganhos de peso diário dos animais, como relatados nos estudos de Fox (1988) e Sweeten (1996).

E a segunda, considerando a ocorrência de doenças em função do excesso de umidade dos piquetes, que torna os animais mais susceptíveis ao acometimento por enfermidades, destacando-se entre elas: as pneumonias e os problemas de cascos.

De maneira geral, embora requeira adequações e os erros possam comprometer os resultados, a realização de confinamentos no período das águas consiste em uma estratégia fundamental e indispensável para o aumento da produtividade, gerando receitas com maior frequência durante o ano, além de elevar a rentabilidade do ciclo de produção de bovinos de corte.

Fonte: Dia de Campo