Pete Stewart, CEO da Forest2Market e Marcelo Schmid, gerente da Forest2Market do Brasil explicam os detalhes

floresta-eucaliptoAs operações florestais brasileiras se assemelham às operações norte-americanas, em diversos aspectos. Além disso, ambos os países são competidores em diversos segmentos da economia global florestal. Dessa forma, Pete Stewart, CEO da Forest2Market e Marcelo Schmid, gerente da Forest2Market do Brasil, apresentam uma lista de 10 previsões relacionadas a esses dois importantes players da economia florestal mundial para 2015:

1. O dólar forte vai enfraquecer a competitividade dos produtos florestais dos EUA

O dólar está em alta e isso irá continuar ao longo de 2015 e na maior parte de 2016. Se por um lado a alta representa uma desvantagem para os EUA, uma vez que restringe a posição competitiva dos bens manufaturados dos EUA em todo o mundo, é uma oportunidade para a exportação dos produtos florestais brasileiros para esse mercado.

2. Economias mundiais enfraquecendo significarão aumento da importação de madeira e produtos de papel pelos EUA

Em 2015, diversas economias ao redor do mundo experimentarão crescimento mais lento ou recessão, ao exemplo do Brasil, e isso significa que os seus bens manufaturados trarão boas oportunidades de compras aos EUA.

3. A China ainda é a locomotiva, mas o trem terá menos vagões

A economia da China continuará dominando os mercados mundiais, mas com menos intensidade, levando à menor demanda por celulose, lenha, madeira e fibra recuperada de fornecedores em todo o mundo em 2015. Com as economias europeias em crise, esses fornecedores – entre eles o Brasil – vão olhar para os mercados dos Estados Unidos como um mercado interessante para suas commodities.

4. A economia florestal brasileira vai enfraquecer em 2015

Um Real mais fraco e mercados domésticos inativos irão reduzir a demanda por produtos florestais no Brasil. Produtores de madeira maciça brasileiros vão olhar para o exterior para exportar seus produtos. Novos players no mercado de celulose irão enfraquecer os preços, colocando ainda mais pressão nos produtores de celulose de madeira dos Estados Unidos.

5. Pinus para processo: falta nos EUA, sobra no Brasil

Não haverá saída fácil para a indústria consumidora de fibra de pinus dos EUA em 2015 devido à demanda crescente das fábricas de celulose/papel e OSB. Ao menos uma década será necessária para a entrada da madeira de desbaste de novos plantios. No Brasil, por outro lado, o superávit da madeira fina de pinus continuará, pelo menos em curto prazo, e diversos produtores enfrentarão dificuldades para renegociar seus contratos, uma vez que as empresas consumidoras começam o ano com seus pátios cheios.

6. Pinus para serraria: falta demanda nos EUA e falta oferta no Brasil

O mercado imobiliário norte americano está estagnado e seu crescimento em 2015 ou 2016 será ínfimo. Consequentemente, a lucratividade das serrarias norte-americanas estará sob pressão. No Brasil, o preço da madeira para serraria deverá aumentar em 2015, pois essa matéria-prima torna-se cada vez mais escassa, abrindo oportunidades para produtores de eucalipto que já manejam suas florestas visando esse nicho de mercado.

7. Bioenergia: uma oportunidade?

Nos EUA, a atitude da indústria para a demanda de bioenergia sempre esteve entre o desconhecimento total e o “esperar para ver”. Em 2015, este gigante adormecido despertará devido à valorização significativa desta matéria-prima observada em determinados bolsões do sul dos EUA. No Brasil, novos empreendimentos voltados à geração de energia elétrica com base em biomassa na região centro-oeste se tornarão públicos em 2015.

8. A indústria de pellets: mercado consolidado para os EUA e incerto para o Brasil

Nos EUA, a produção de pellets vai continuar crescendo, apesar da disponibilidade de petróleo e gás natural muito mais baratos, porque a demanda não está ligada à economia mas à regulamentação. A extensão deste crescimento será determinada quando as exigências do Reino Unido e da União Europeia para a biomassa sustentável forem esclarecidas.

No Brasil, a viabilização de projetos para produção de pellets depende ainda de questões logísticas. Apenas oportunidades únicas de mercado fogem dessa regra, a exemplo da planta que deve ser concluída no início de 2016, no Rio Grande do Sul, pertencente à empresa Tanac, cuja viabilidade é garantida por vantagens geográficas únicas e por um contrato de suprimento em longo prazo com um grupo inglês (Grupo Drax).

9. Mato Grosso do Sul: novas oportunidades para produtores florestais

O Estado de Mato Grosso do Sul ampliará seu papel como principal região de desenvolvimento florestal na atualidade. Além da instalação já confirmada de pelo menos uma nova fábrica de celulose e uma planta de MDF, demandas por outros produtos de madeira irão surgir (energia e serraria), aumentando ainda mais as oportunidades para novos produtores florestais.

10. Mato Grosso do Sul: o outro lado da moeda

Analisando pela ótica das empresas consumidoras, a pressão pela já escassa oferta de madeira no Estado se tornará ainda maior (veja a matéria escrita pela F2M do Brasil sobre o assunto em http://www.forest2marketdobrasil.com.br/news/pais-ms-pode-ter-deficit-de-madeira-ate-2024), gerando uma disputa intensa entre empresas consumidoras de madeira para fidelização de fornecedores e garantia de suprimentos.

Sobre a Forest2Market do Brasil e a Forest2Market

A Forest2Market do Brasil, localizada em Curitiba, Paraná, fornece relatórios de precificação de madeira e benchmark para a cadeia produtiva florestal brasileira. Sua empresa criadora, Forest2Market Inc., com matriz em Charlotte, Carolina do Norte, EUA, fornece serviços relacionados à cadeia de suprimento florestal, preço de mercado e benchmarks para a indústria de madeira, papel e bioenergia nos Estados Unidos e Europa.

Fonte: Painel Florestal