Definidas quais características devem ser priorisadas no seu rebanho, criador direciona estrategicamente seu negócio

O conhecimento das raças que podem ser criadas em nossas condições, possui uma grande importância, tendo em vista que este conhecimento auxilia na determinação do sistema de criação a ser adotado, assim como do produto a ser explorado, buscando-se em todo e qualquer sistema de criação, o aumento da produtividade e o consequente posicionamento deste produto no mercado interno e também no mercado externo.

A definição do termo raça por ser dada como sendo um “grupo de indivíduos da mesma espécie, que possuem uma série de características comuns, distintas de outros da mesma espécie, sendo estas características transmissíveis à descendência”. Estas características são produtivas, fisiológicas, morfológicas e genéticas.

Dentre as características produtivas estão às relacionadas à produção de leite, carne, pele, pelos ou lã. No que diz respeito as fisiológicas a precocidade, rusticidade, vigor e capacidade de adaptação são aspectos importantes a serem avaliados. Já as características morfológicas são visíveis, palpáveis ou mensuráveis, como formato de orelha, cor de pelagem, estatura.

Dentro dos critérios de seleção, o criador, com a orientação de um profissional capacitado, elege quais as características devem ser priorizadas no seu rebanho, para isso informações sobre as raças que podem ser utilizadas são de fundamental importância. Desta forma as estratégias utilizadas em programas de melhoramento de ovinos para produção de carne “se constituem basicamente da definição das metas, do emprego de controle de performance, da estimação do valor genérico, do uso de tecnologias da reprodução na difusão do progresso genético e na conexão entre rebanhos e da organização dos esquemas de acasalamento, de análise e da divulgação dos resultados”.

Porém, também é comum que a escolha da raça a ser criada, seja baseada única e exclusivamente numa questão de preferência morfológica ou de preço. Atualmente, duas raças de ovinos tem se mostrado em evidência no mercado, atraindo a preferência dos criadores, as quais são a Dorper e a Santa Inês.

De maneira geral, estas duas raças apresentam boas respostas produtivas tanto nas características fisiológicas, como no que diz respeito à produção de carne.

Os animais Santa Inês apresentam desempenho um pouco abaixo da raça Dorper, todavia, apresentam resultados satisfatórios em função do sistema utilizado. As crias nascem com um peso entre 3,5-4,0 kg, com relação a média de ganho de peso médio diário no período pré-desmame, pode-se alcançar valores em torno de 200 g/dia, favorecendo um peso a desmama próximo aos 16 kg.

Criados em sistemas intensivos, quando comparados com outras raças, o desempenho dos cordeiros Santa Inês é inferior ao das crias de animais das raças melhoradas para ganho e rendimento de carcaça, mostrando menor proporção de traseiro, menor compacidade de carcaça e menor perímetro de perna.

Entretanto, é uma raça de grande potencial do uso em cruzamentos industriais, principalmente pelo fato de apresentarem características importantes que fazem das fêmeas desta raça, excelentes matrizes, dentre elas estão uma boa habilidade materna se comportarem como poliéstricas contínuas.

Os animais Dorper, em condições brasileiras, consegue proporcionar cordeiros com 35 kg antes do desmame com 90 dias de vida, sendo criados exclusivamente a pasto com creep feeding (suplementação com concentrado). Consegue-se ainda de 50 a 57% de rendimento de carcaça em animais puros e entre 48 e 52% de rendimento de carcaça em cruzados. São animais férteis, apresentando altos índices de parição, quando o manejo nutricional foi bem conduzido. Estes índices podem alcançam patamares de 120%, com três partos a cada dois anos, gerando 2,25 cordeiros por ano.

Todavia, estudos recentes descrevem que esta raça apresenta alta susceptibilidade a uma doença denominada Scrapie. Esta doença pertence a um grupo de doenças neurodegenerativas conhecidas como encefalopatias espongiformes transmissíveis. O grande impacto que esta doença pode causar é o surgimento de entraves na comercialização de carnes obtidas do abate destes animais. Recentemente, alguns casos de Scrapie clássico foram notificados aos órgãos competentes da defesa sanitária, mas oriundos de animais importados. Como animais da raça Dorper estão sendo utilizados para produção de cordeiros destinados ao abate e também em cruzamentos, principalmente com fêmeas da raça Santa Inês, os resultados destas pesquisas deixam uma preocupação para técnicos e criadores.

Ficam então algumas questões: o que fazer daqui por diante? Que raça pode substituir a Dorper em cruzamentos? O que fazer com os rebanhos desta raça que estão há anos, fazendo trabalho de seleção?

Fonte: Portal Dia de Campo