Tendência de aumento do consumo de proteína animal impõe novos desafios para produtores

Com o aumento da renda do brasileiro e a entrada de novas famílias na classe média, o consumo de proteína animal, especialmente carne bovina, acompanhou a evolução do poder aquisitivo. As tendências de consumo e a forma com que o setor produtivo deverá responder ao crescimento da demanda por carne foram os temas centrais da tarde de ontem, na Casa RBS na Expointer.

Dados apresentados no evento pela consultoria BeefPoint apontam para um crescimento de 25% no mercado de luxo em 2012, o que inclui a procura por carnes selecionadas. Para oferecer o melhor produto ao consumidor, as entidades de raças bovinas buscam melhoramento genético e padronização da produção.

Casos de sucesso de parcerias com frigoríficos, varejo e redes de fast-food foram apresentados durante o evento, promovido com a Associação Brasileira de Angus (ABA). Entre os exemplos, foi comentado o convênio com o McDonald’s para oferecer um hambúrguer de carne angus. Desde 2003, a entidade promove o programa Carne Angus Certificada, que abateu, neste primeiro semestre, 100 mil animais certificados, 25% a mais que no primeiro semestre de 2011.

– O consumidor pode comprar uma carne de qualidade e consumir sem o menor risco. Essa carne é macia, saborosa e suculenta – avalia o diretor do programa, Reynaldo Salvador.

A Associação Brasileira de Hereford e Braford mantém desde 2001 o programa Carne Certificada Pampa. Só no primeiro semestre deste ano, foram certificados 27 mil animais, número 78% superior ao mesmo período do ano passado.

– Mesmo com carnes selecionadas, também podemos oferecer cortes com preços mais baratos e que vão manter padrão e qualidade aos consumidores – avalia o gerente executivo do programa, Guilherme Dias.

Propriedades criam programas de certificação

A preocupação em oferecer carne de qualidade também chega às propriedades, que criam programas de certificação interna. A fazenda Jaguaretê, de Eldorado do Sul, apresentou, durante a Expointer, o Programa Carne Macia. Neste ano, serão abatidas 600 cabeças de gado com certificação. O plano é chegar a um abate de 40 mil cabeças de gado em 2020.

– Hoje a carne de alto padrão vem da Argentina e do Uruguai. Há lugar para todos produzirem carne de qualidade – salienta Luiz Antonio Queiroz, proprietário da Jaguaretê.

Fonte: Zero Hora