O leitor recebeu nos últimos dias uma onda de previsões assustadoras sobre a economia mundial

O leitor recebeu nos últimos dias uma onda de previsões assustadoras sobre a economia mundial. Neste ano, o PIB mundial, que estava crescendo cerca de 4%, não vai passar de 2,5%. Tudo aponta para o pior. São as previsões da ONU e do Banco Mundial.

Em uma frase, a economia mundial está afundando. Não é só um crescimento menor, mas uma forte deterioração, afirma Hans Timmer, do Banco Mundial. “Nenhum país, nenhuma região vai escapar.” Os emergentes que se preparem e tenham um plano para reduzir o impacto de um aprofundamento da crise.

E o Brasil? Não vai escapar, dizem eles. Para a ONU, o crescimento deve ficar em 2,7%. Não se assuste, leitor. Sim, é esse o conselho da coluna diante de tanto pessimismo externo. Por quê? Primeiro, porque isso já estava previsto. Não há surpresa. Cansamos de dizer que a economia mundial desacelerava, que estávamos crescendo mais do que deveríamos. Segundo, a equipe econômica também já sabia disso até porque foi ela que provocou o desaquecimento.

A única “novidade” é que o governo estava não só consciente, mas já havia adotado medidas para reverter esse quadro. Primeiro, foram medidas para crescer (7,5%), depois desaquecer para 2,7% e, agora, para aquecer novamente com o PIB podendo chegar a 4% este ano. Não os 2,7% que eles preveem. Estão atrasados. Acho que nem leram os jornais e muito menos esta coluna, que tem informado a respeito do que está sendo feiro para evitar o pior que eles, em Washington e Genebra, preveem. A economia mundial está parando, a crise da zona do euro – em recessão – só tende a agravar e os políticos atrapalham (aqui, o relatório da ONU tem razão em alertar, só que uma razão mais velha que o mundo), mas no Brasil o cenário é outro. Lá fora, a pasmaceira registrada pela ONU e o Banco Mundial, aqui muita atividade que eles não viram. Jogaram o Brasil no mesmo saco dos parvos e dos náufragos que afundam dizendo, como Frau Merkel, que é preciso fazer alguma coisa…

Até que vamos bem. E mesmo nesse quadro externo sombrio, o Brasil até que está conseguindo exportar mais! E, ao contrário do que prevê a ONU, os investimentos continuam entrando. É verdade que as exportações se concentram em alimentos e commodities, que a indústria rateia, mas mesmo assim, o saldo é positivo. E isso em um mercado que não cresce! Vai durar? Pode ser porque, apesar de crescerem menos, os europeus, chineses, americanos, precisam comer o que a vigorosa agropecuária brasileira está produzindo. É só ver os dados do comércio exterior para confirmar isso. O cenário externo também pode mudar? Sim. A recessão pode não ficar só na Europa, englobar outros países, mas a demanda dos países asiáticos que, segundo a ONU e o Banco Mundial, vai crescer 6,5%, deve manter-se ainda este ano.

De novo, mas, e se piorar? Ora, a equipe econômica disse várias vezes que trabalha com essa hipótese. E, por isso, adotou medidas para reforçar a demanda interna, com juro menor, crédito mais fácil, desonerações tributárias e rendimentos crescentes. Como disse um economista do governo à colega Beatriz Abreu, “não será um ano mais fácil, mas um ano amigável”. Para a coluna, um ano bom para o Brasil. As medidas de incentivo ao consumo têm como objetivo proteger o País de recessões externas. E estão dando certo porque o consumidor continua confiando como todas as pesquisas confirmam.

Não ligue para eles. E é esse o objetivo da coluna. Reforçar a confiança que poderia ser abalada pelas previsões pessimistas sobre a economia mundial. Não ligue mesmo, leitor. O sinal de alerta da ONU e do Banco Mundial chegou atrasado aqui. A equipe econômica já sabia disso e está agindo.

Quando a crise externa chegar – se chegar -, vai encontrar uma economia preparada. Se há um alerta a fazer, não é o deles, mas nosso, aqui. O de se intensificar ainda mais o que estamos fazendo e eles não. A coluna só tem dois conselhos, para a equipe econômica: vá em frente no caminho que está certo. E, para você, leitor, que siga a sua vida e não ligue para os “gringos”.

Fonte: O Estado de S. Paulo