Num conjunto de 82 países, o Brasil figura num modestíssimo 37.º lugar pelo critério da competitividade esperada até 2016, segundo a área de pesquisa da revista britânica The Economist

Num conjunto de 82 países, o Brasil figura num modestíssimo 37.º lugar pelo critério da competitividade esperada até 2016, segundo a área de pesquisa da revista britânica The Economist (Economist Intelligence Unit – EIU). Houve pequena melhora em relação à classificação anterior (39.º lugar), mas insuficiente para assegurar uma posição de competidor medianamente temível no mundo moderno.

Espera-se que a posição brasileira deverá melhorar nos quesitos estabilidade política (sairemos do 18.º lugar para o 13.º) e políticas de investimento externo (do 32.º para o 27.º). Mas, nas regras do mercado de trabalho, o Brasil ainda deverá ocupar o 59.º lugar (era o 66.º, na classificação anterior) e continuará no 52.º lugar em qualidade da infraestrutura. Em especial, o País continuará no 76.º lugar – distante apenas seis lugares do último colocado – no quesito carga tributária.

O Brasil se destaca negativamente nos itens custo da mão de obra e carga tributária. De fato, decisões recentes, como a da elevação do custo das demissões para as pessoas com mais tempo de casa, ao mesmo tempo que beneficiam individualmente os trabalhadores, oneram os empregadores e podem estimular a contratação de pessoal mais jovem – em geral, menos experiente e qualificado. A carga tributária é tratada não só por ser elevada – no Brasil, cerca de 35% do Produto Interno Bruto (PIB), muito alta em relação aos demais países emergentes -, mas pela complexidade das regras. As empresas brasileiras gastam 2.600 horas/homem por ano simplesmente para recolher os impostos, segundo o estudo Doing Business, do Banco Mundial.

O Brasil tem “amarras estruturais”, segundo a analista responsável pela pesquisa da EIU, Justine Thody. E “está ficando sem tempo para fazer as mudanças, porque a idade média da população está subindo”. Medidas pontuais, como a desoneração da folha de pagamento para 24 setores, têm efeito apenas marginal sobre o custo do trabalho, disse Thody ao Estado.

Mais do que anseio do governo e das empresas, aumentar rapidamente a competitividade é o imperativo para que o País não perca mercados e se mantenha como economia minimamente aberta, beneficiando-se com a concorrência das importações com os produtos locais. Mas, com tributos exagerados, infraestrutura de baixa qualidade e mão de obra cara e pouco preparada, o Brasil tem perdido mercados de produtos industrializados: importa itens que poderiam ser fabricados internamente e, assim, sacrifica postos de trabalho.

Fonte: O Estado de S. Paulo