Mesmo com a valorização de cerca de 80% sobre a cotação da saca da soja no acumulado deste ano e a desaceleração de 25% dos custos para aquisição dos insumos para o plantio da nova safra de soja, em Mato Grosso, o segmento está em alerta

Mesmo com a valorização de cerca de 80% sobre a cotação da saca da soja no acumulado deste ano e a desaceleração de 25% dos custos para aquisição dos insumos para o plantio da nova safra de soja, em Mato Grosso, o segmento está em alerta e acredita que a conta que se mostra favorável até o momento, conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), poderá inverter e o pior, até mesmo prejudicar a semeadura que tem início no Estado a partir de 15 de setembro. O que começa a tirar o sono do produtor é a iminência de atrasos na entrega e até mesmo a pontual falta de fertilizantes para a sojicultura 2012/13. A greve dos fiscais federais e as constantes mobilizações dos caminhoneiros estão impedindo e prejudicando o desembarque dos nutrientes nos portos e a entrega pelo país, entrega essa que na maioria dos casos já foi paga pelo sojicultor.

A preocupação foi externada ontem pelo presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja/Brasil), Glauber Silveira, que teme que os atrasos prejudiquem duplamente o produtor, especialmente os pequenos e médios, primeiro pelo repasse dos custos e segundo, pela possibilidade de o produto vir a faltar – não estar disponível nas propriedades no momento em que o produtor precisar, ou seja, com certa antecedência antes da efetivação da semeadura – o que atrasa os trabalhos.

“A agricultura é uma atividade que tem prazo, porque depende de clima, se não houver entrega do nutriente no prazo que o produtor acordou haverá muito prejuízo”, argumenta. Ontem, Silveira cobrou a intervenção do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para impedir perdas à atividade. O pedido foi formalizado em audiência com o ministro Mendes Ribeiro Filho.

Como frisa Silveira, até o momento, cerca de 50% do fertilizante adquirido foi entregue, o que está em linha com o observado em anos anteriores. “Nosso alerta é para evitar que haja atrasos, afinal, restam mais 50% e esse adubo deverá ser ainda desembarcado nos portos e distribuído pelo Brasil nos próximos 30 dias, no máximo. Para isso dependemos do transporte rodoviário que no momento vem registrando inúmeras paralisações por protestos dos caminhoneiros”.

Atualmente, o Brasil importa mais de 70% do produto. A justificativa para o atraso, segundo informações da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), é a falta de trabalhadores para atuar nas operações, reflexo da greve dos fiscais federais. “Esse alerta é para evitar problemas, porque o segmento está sempre correndo atrás do prejuízo e quem paga a conta é o pequeno e médio produtor. Precisamos de uma intervenção para evitar o problema”. O presidente da Aprosoja Brasil lembra que em anos sem essas obstruções sempre há algum atraso em função da grande dependência que país tem da importação desses nutrientes. “No ano passado, quando houve crescimento na demanda pelo adubo, registramos demora, imagine agora na atual conjuntura?”, indaga.

A expectativa é de que o consumo de fertilizantes, projeção feita pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), atinja cerca 29 milhões de toneladas (t), ante 28,3 milhões no ano passado. Em 2010 foram consumidos 24,5 milhões. “Os números mostram que se há uma projeção de 29 milhões, existem mais de 14 milhões/t para serem movimentadas daqui até o próximo mês”, completa Silveira.

CÂMARA – Na última segunda-feira, uma reunião da Câmara Setorial de Insumos Agropecuários, esboçou o perigo que foi oficializado pela Aprosoja. Como explica o membro titular da Câmara e representante da Aprosoja/MT, Naildo Lopes, existem cerca de 40 navios carregados de fertilizantes à espera de autorização para desembarcar e cada dia parado tem um custo de US$ 40 mil. “Para quem vai sobrar essa conta. Vai sobrar para quem ainda não comprou ou não pagou”, questiona Lopes. Outra preocupação é uma possível ruptura de contratos por parte das empresas que negociaram o insumo, receberam por ele, restando apenas entregar. “O custo do momento da compra era um e no momento da entrega será outro. Será que o produtor não sofrerá algum tipo de coação para receber no prazo que ele necessita?”.

Conforme dados apresentados pela Anda, durante a reunião, as entregas de fertilizantes ao consumidor final encerraram o período janeiro-julho de 2012 com 14,33 milhões/t, indicando aumento de 3,5% em relação ao mesmo período de 2011, quando foram entregues 13,85 milhões. Mato Grosso concentrou o maior volume de entregas no período atingindo 2,82 milhões/t e responsável por 19,7% do total movimentado, seguido de São Paulo com 2,03 milhões, Paraná com 1,89 milhões e o Rio Grande do Sul com 1,48 milhões.

Segundo Lopes, o Estado deverá consumir cerca de 5 milhões/t de fertilizantes nesta safra, sendo que 3,5 milhões utilizadas na sojicultura. “O que foi entregue até o momento não é suficiente para necessidade da soja mato-grossense”, sentencia.

Fonte: Diário de Cuiabá