Na última safra, entre agosto de 2010 e julho de 2011, de 1,3 milhão de hectares plantados foi colhido 1,9 milhão de toneladas da fibra, um recorde no Brasil – são Paulo

A crescente demanda por commodities na China reflete-se na produção de algodão no Brasil, da qual se espera crescimento de 6% no ano que vem. Um resultado inédito para o setor: 2,1 milhões de toneladas produzidas em 2012, segundo estimativas da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

“Países asiáticos, principalmente a China – o maior produtor mundial da fibra – e a Índia, estão subsidiando a produção de alimentos”, afirmou o presidente da entidade, Sérgio De Marco, “e isso gera mercado para o algodão brasileiro, que já é reconhecido por lá por sua qualidade e por honrarmos os contratos”.

Por outro lado, enquanto a indústria chinesa consome a fibra brasileira, as fábricas de produtos têxteis no Brasil sofrem com a pressão dos produtos importados (principalmente, diga-se de passagem, da mesma China). Os estoques de algodão, portanto, tendem a aumentar em 2012.

Na última safra, entre agosto de 2010 e julho de 2011, de 1,3 milhão de hectares plantados, foi colhido 1,9 milhão de toneladas da fibra. Neste caso, a produtividade é que bateu recorde: “alcançamos o patamar de 1,3 mil quilos por hectare”, afirmou De Marco.

O ano que vem começará com 495,8 mil toneladas de pluma armazenada, ante as 76 mil toneladas que havia no início de 2011, de acordo com dados da COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). Os volumes estocados derrubam os preços da matéria-prima no mercado interno e favorecem as exportações.

Outro ponto importante se refere ao custo de produção do algodão, que mais do que dobrou entre a última e a presente safra. Em março, o produtor pagava com 16 arrobas por hectare o pacote de insumos. Com a posterior valorização do dólar, essa proporção subiu para 46, como mostra o último boletim do Instituto Mato-Grossensse de Economia Agropecuária (Imea). No mesmo período, compara o informativo, a pluma ficou 58% mais barata.

“Do total produzido na safra, 850 mil toneladas foram vendidas antecipadamente ao preço de US$ 0,74. O preço real chegou a bater US$ 1,90, mas o produtor brasileiro honrou contratos vendidos a menor valor. Dessa forma, não ganhou dinheiro, mas também não perdeu”, observou De Marco. “Foi um ano atípico, de muita volatilidade”, destacou.

Em relação à expectativa que se tinha no início da safra passada, houve quebra de 15%, por falta de chuva nas três principais regiões produtoras – Mato Grosso, Bahia e Goiás. “Mas nada que tenha abalado a imagem da fibra brasileira”, segundo De Marco.

Exportações

A preços baixos, a comercialização internacional de algodão cresceu de 474,1 mil, em 2010, para 646,6 mil toneladas neste ano. Os números superaram as expectativas da Abrapa. “A China, a Coreia do Sul e a Indonésia são os três maiores compradores”, constatou o presidente da entidade.

Para o ano que vem, a projeção é de que a venda para o mercado exterior cresça ainda mais. A meta da associação é que o setor exporte um milhão de toneladas, ou quase metade do que for produzido aqui. “Estamos preparados para isso”, garantiu De Marco.

“Em relação aos preços, nossa expectativa é de que fique em torno de US$ 0,90 a US$ 1,05”, disse. Segundo o Imea, a produção mato-grossense da safra atual já está 45% comercializada, a uma média de US$ 1,01 por medida, o que garante ao produtor do Mato Grosso pagar os insumos.

Carência

“Em relação às ações de governo, falta um mecanismo moderno de apoio à comercialização que permita aos produtores e à indústria terem um hedge, um ganho mínimo sobre seus produtos, garantindo preços e deixando o produtor participar de eventuais ganhos de alta de preços no mercado”, declarou o presidente da Abrapa, Sérgio De Marco.

 

Fonte: Dia de campo