Entre os primeiros quadrimestres de 2011 e 2012, aumentou em 37% o volume de consultas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), segundo o boletim de desempenho da instituição, indicando que as empresas voltam a buscar crédito para investir

Entre os primeiros quadrimestres de 2011 e 2012, aumentou em 37% o volume de consultas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), segundo o boletim de desempenho da instituição, indicando que as empresas voltam a buscar crédito para investir. Mas parece cedo para antever uma forte retomada dos investimentos.

A taxa de investimento da economia brasileira caiu de 19,5% para 18,7% do Produto Interno Bruto, na comparação entre os primeiros trimestres de 2011 e 2012. A tendência é preocupante, pois, se houver aumento do consumo, faltará capacidade nas indústrias.

Os empréstimos do BNDES são um dos instrumentos-chave para aferir a disposição das empresas de investir, pois se estima que respondam por cerca de 20% a 25% da taxa de investimento.

Para tomar um empréstimo no BNDES, as empresas seguem uma rotina, que começa pelo processo de consulta da operação, seguindo-se o enquadramento, a aprovação e, afinal, se as três etapas anteriores tiverem ocorrido a contento, o desembolso dos recursos.

Nos últimos 12 meses, até abril, comparativamente aos 12 meses anteriores, as taxas foram negativas em todas as quatro etapas, entre 14% e 26%. Não há dúvida de que o aumento das consultas no primeiro quadrimestre é um indicador positivo, como também o dos enquadramentos (+29% em relação a 2011), mas nas aprovações o índice caiu 28% e o desembolso total cresceu apenas 1%.

A indústria (-46%) foi a grande responsável pela queda dos desembolsos, enquanto a infraestrutura liderou as liberações, de R$ 13,4 bilhões, no primeiro quadrimestre, e de R$ 55,8 bilhões, nos últimos 12 meses (+40% em relação aos 12 meses anteriores).

Por parte das empresas, diminuíram os desembolsos para as grandes e aumentaram para as médias, pequenas e microempresas. Dado o peso dessas companhias na geração de emprego, a mudança de política do banco se justifica. A questão é saber se ela poderá ser mantida, na medida do uso do BNDES para conceder empréstimos aos Estados, como se anunciou.

A recuperação da economia brasileira depende do aumento dos investimentos das empresas e da melhora da infraestrutura para permitir a redução dos custos de logística e, portanto, da produção e distribuição. Afinal, o BNDES não pode abdicar da qualidade dos empréstimos para manter sua capacidade de alavancar os investimentos no longo prazo.

Fonte: O Estado de S. Paulo