A produção de carne de cabras e cordeiros tem conseguido bons resultados apesar do aumento da oferta e encara um horizonte otimista para este ano

rebanho-cordeiroA produção de carne de cabras e cordeiros tem conseguido bons resultados apesar do aumento da oferta e encara um horizonte otimista para este ano, apoiada na demanda aquecida. Segundo produtores e técnicos consultados pelo DCI, a perspectiva de o mercado uruguaio mudar de foco e passar a exportar carne com osso para a Europa ainda neste ano também contribui como otimismo do setor.

Em seis anos, a rentabilidade média dos produtores praticamente dobrou, passando de R$ 6 o quilo da carcaça para uma média de R$ 12, enquanto o plantel de ovinos cresceu 25%, de 14 milhões de cabeças para 17,6 milhões. O maior rebanho está no Rio Grande do Sul (RS), com 4 milhões de animais, onde os produtores conseguiam no ano passado uma renda de mais de R$ 5 o quilograma da carcaça.

De acordo com a Arco, neste ano alguns produtores têm conseguido vender a carcaça por até R$ 13,50. O gerente da fazenda Dorper Campo Verde e analista de mercado Carlos Vilhena afirma que o aumento da demanda pelo cordeiro, em específico, principalmente no Centro-Sul, tem garantido os preços da carne, diferentemente do consumo de carneiro ou ovelha, que tem se mantido estável. “O consumo de cordeiro está tendo um crescimento brutal, e não temos ainda produção suficiente”, diz Vilhena.

Alguns produtores ainda veem margem para aumentar a remuneração. Regina Valle, coordenador técnica da Associação Brasileira de Criadores de Dorper (ABCDorper) observa que muitos produtores não estão formalizados porque conseguem preços melhores no mercado informal. Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovino (Arco), Arnaldo dos Santos, 90% do consumo doméstico de ovinos, que chega a 85 mil toneladas por ano, é provindo de abates informais. Ele ressalta que a defasagem também é reflexo da existência de produção de subsistência e familiar.

A perspectiva de que o Uruguai consiga a liberação para exportar carne de ovino com osso para a União Europeia (UE) também estimula parte dos produtores. Valle acredita que o maior valor do euro ante o real deve naturalmente direcionar as exportações do país vizinho ao bloco europeu, abrindo espaço para o aumento da oferta nacional. Já Arnaldo dos Santos acredita que o impacto dessa mudança de foco dos uruguaios será pouco sentido no Brasil. “Talvez o que implique é dimensão do oferta de alguns cortes para nós. Mas o nosso mercado remunera bem, eles não vão abandonar.”

Genética

Outra saída à qual os produtores de ovinos têm recorrido são os cruzamentos para melhoramento genético do rebanho. A fazenda Dorper Campo Verde, localizada em Jarinu (SP), por exemplo, conseguiu reduzir entre 15% e 20% seus custos ao cruzar seus animais com as raças Dorper e White Dorper, a partir de embriões importados da África do Sul. “Os animais ficam prontos com cerca de 35 quilogramas a 40 quilogramas em cerca de 120 dias. Isso acontecia no mínimo com oito meses de idade antes da introdução dessas raças”, conta o gerente da fazenda.

O cruzamento também permite ao produtor ter maior aproveitamento de carne de um único animal. Uma ovelha comum tem rendimento em torno de 40%. Com rendimento de meio sangue Dorper, o aproveitamento sobre para até 50%, e Dorper puro pode ser aproveitado em 60%. “Isso tem envolvimento direto com receita”, assegura Vilhena.

Custo

Ainda assim, os custos de produção podem variar entre 40% e 60%, variação que “depende do sistema de produção”, segundo Regina Valle. Apenas a ração das cabras, dependente das cotações de soja e milho, gira em torno de 50% a 60% da despesa.

A produção em confinamento, considerada a mais eficiente em termos de custo, já é praticada no Centro-Sul. Essa região, porém, concentra um volume minoritário dentro do rebanho nacional. Rio Grande do Sul e os estados do Nordeste detêm, respectivamente, 22,6% e 56,2% das cabeças do gado nacional.

Sem a adoção de confinamento, Vilhena estima que um investidor que está começando no negócio de ovinos consegue ter retorno entre três e cinco anos. As perspectivas otimistas de retorno financeiro têm estimulado investimentos locais. Na Bahia, segundo maior produtor nacional, já há um projeto de R$ 100 milhões em uma fazenda em Xique-Xique, à beira do Rio São Francisco, que deve abrigar inicialmente cerca de 10 mil ovinos.

Fonte: DCI