Estamos vivendo o turbilhão das eleições que se aproximam e, pela primeira vez, numa campanha eleitoral surge um sinal importantíssimo

Nelson Barboza Leite
Nelson Barboza Leite

Há mais de 10 anos, por volta de 2002, também às vésperas de eleições presidenciais, então como presidente da Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS), juntamente com outras entidades do setor – conforme registro abaixo – já falávamos da necessidade de se elaborar algum documento para apresentar aos presidenciáveis.

A inexistência de qualquer menção aos assuntos da silvicultura em documentos ou em discursos dos candidatos, daquela época, preocupava a todos. Os tempos se passaram e muita coisa mudou. Mais recentemente, bem antes das atuais eleições, tomamos a liberdade de lembrar nossos amigos silvicultores da necessidade e conveniência de se pensar na elaboração de exercício semelhante. E chamávamos atenção ao documento feito anteriormente. Segue o texto publicado, nesse mesmo espaço:

Novo Presidente, novas promessas e à silvicultura nenhuma palavra!

Há anos, a SBS juntamente com outras entidades de classe, como Bracelpa, Aimex, SBEF, entidades representativas estaduais, Embrapa Floresta e outras entidades de ensino e pesquisa iniciavam um movimento setorial para elaborar documento de referência para apresentar aos presidenciáveis da época. O documento foi feito, discutido e apresentado. Missão cumprida!

Oito anos depois, às vésperas de nova eleição presidencial, depois de longo período com mesmo governo, encontramos o setor diante do mesmo dilema: devemos apresentar um novo documento com novas ou com as mesmas sugestões? Os mais céticos e pessimistas de plantão acham que não adianta nada e que é sempre a mesma lenga-lenga. Os otimistas acreditam que sempre vale o esforço e que esse é o papel das entidades atuantes e dos profissionais que querem ver o setor fortalecido. Vamos aos fatos para refletir sobre a validade de se fazer esse novo esforço:

• Há fatos novos, que justifiquem ajustes e mudanças?

• Os grandes problemas, lá de trás, foram resolvidos?

• Os novos empreendedores nas novas fronteiras estão confortáveis para continuarem investindo?

• A complexidade das legislações foi resolvida? A corrupção acabou?

• Há financiamentos em condições adequadas para a atividade?

• A política de fomento florestal pegou? Os fomentados estão satisfeitos?

• Foi resolvida a questão institucional do setor?

• Existe política de governo para acompanhar o crescimento setorial?

• O Código Florestal está sendo modificado para regulamentar as atividades florestais?

• Você sabe onde discutir, ou a quem sugerir ou reclamar das políticas públicas do setor?

Vamos voltar aos velhos tempos de por uma cruzinha, ou de responder sim ou não para avaliar nossa situação! Se você encontrar um sim, fique tranquilo, as coisas estão indo bem! Mas se você encontrar o não 10 (dez) vezes,,mexa-se! Precisamos fazer alguma coisa. Nós todos precisamos pensar no que fazer. É um desafio para todos os silvicultores!

Esse texto acima foi publicado, provocativamente, para que o setor preparasse algum documento, como lá trás, para apresentar aos presidenciáveis de 2014.

Há alguns meses, tem se falado de discussões e Grupos de Trabalho, em nível de Governo Federal, com o objetivo de se definir políticas públicas para o setor, mas nada de concreto foi apresentado à sociedade. Com certeza, há trabalhos em desenvolvimento, mas infelizmente, até o momento, não foram colocados ao conhecimento público. Portanto, não se conhece nada que tenha sido feito pelo atual governo.

Há profissionais competentes metidos nessa empreitada. Há de se esperar, portanto, que algum trabalho importante esteja em andamento. Mas estamos no finalzinho de um período governamental e nada… O trabalho pode estar parado numa mesa para discussão – o que é menos mal – ou está a caminho de alguma gaveta – e aí, a silvicultura perdeu precioso tempo!

Atualmente, estamos vivendo o turbilhão das eleições que se aproximam e, pela primeira vez, numa campanha eleitoral surge um SINAL IMPORTANTÍSSIMO: a candidata Marina Silva, em seu Plano de Governo, que trata especificamente do assunto (páginas 88, 89 e 90) fala de metas para o setor florestal. E destaca:

• Zerar a perda de cobertura florestal no Brasil.

• Ampliar para 5% a participação do Brasil no comércio mundial de produtos florestais.

• Aumentar em 40% a área de florestas plantadas.

• Duplicar a área sob Manejo Florestal Sustentável (Amazônia e Caatinga).

• Atingir 8 milhões de hectares de concessão florestal, incluindo as concessões para reflorestamento e recuperação florestal.

• Dobrar a área de florestas públicas destinadas ao uso sustentável.

• Implementar amplo programa de tecnologia de refinamento de biomassa florestal visando à produção de combustíveis, polímeros, fertilizantes, fármacos, essências e outros produtos.

Um passo importante e abre-se excelente oportunidade para que o setor possa discutir suas reivindicações e balizar seus interesses. Será que teremos outros presidenciáveis falando do setor florestal?

Está posto o desafio! Estamos diante de propostas que tocam direto em nossos interesses. Um início maravilhoso! O assunto não se esgota com as propostas apresentadas, mas se abrem as portas para discussões e reivindicações do setor. É só ler o documento, à disposição no site da candidata e percebe-se que há inúmeras oportunidades para o desenvolvimento florestal brasileiro. Grande desafio para que se preparem os caminhos para consolidação de uma silvicultura sustentável e altamente competitiva. Excelente sinal, mas não dá para ficarmos de braços cruzados, esperando que as coisas aconteçam!