Segundo a PF, grupo falsificava e vendia produtos de origem florestal.

Superintendência Regional da Polícia Federal no Piauí.
Superintendência Regional da Polícia Federal no Piauí.

Dois servidores públicos federais foram presos durante uma operação deflagrada pela Polícia Federal no Piauí. Denominada “Operação Forjas”, a ação tem o objetivo de reprimir a prática de crimes ambientais e fraudes contra os órgãos de fiscalização ambiental.

Segundo a PF, os dois servidores atuam na área de fiscalização ambiental no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Ibama) e Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Semar). Foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão, 15 destes no Piauí. Do total de 12 mandados de prisão temporária e 11 mandados de prisão preventiva, foram cumpridas no estado piauiense seis e cinco respectivamente.

Os policiais também fizeram a condução coercitiva de 13 pessoas, nove delas no Piauí. A maior parte dos mandados está sendo cumprida em Teresina, Oeiras, Floriano, Picos e São Raimundo Nonato.

Além do Piauí, outros oito estados são alvo da operação: Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Pará, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Segundo a PF, a Operação Forjas visa desarticular grupo criminoso que atua principalmente na simulação, falsificação e comercialização de créditos de produtos de origem florestal a partir de licenciamentos ambientais no Piauí, com o intuito de acobertar desmatamentos ilegais geralmente em outros estados.

Léia Cecilia Muniz, delegada chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Ambientais da PF, disse que os dois servidores atuavam fazendo uma espécie de advocacia administrativa, agilizando alguns procedimentos e orientando as pessoas beneficiadas pelo esquema sobre licenciamentos e outros serviços.

“Esses servidores recebiam dinheiro para isso. Eles orientavam os consumidores a burlar a fiscalização. Há três anos o esquema vem sendo investigado, mas ainda vamos colher mais elementos e saber ao certo o tempo de atuação da quadrilha”, explicou a delegada.

O esquema visa, sobretudo, abastecer empresas siderúrgicas com carvão vegetal produzido clandestinamente em áreas mais próximas daquele mercado consumidor, principalmente Minas Gerais, para isso utilizando-se de licenças obtidas no Piauí.

Ainda conforme a PF, mesmo com todo o aperfeiçoamento usado no esquema, a polícia descobriu a fraude analisando imagens de satélite e ainda ao encontrar inconsistência nos processos durante as perícias. “Até placa de moto e carros de passeio constavam como sendo veículos que faziam o transporte dos produtos ambientais, madeira, por exemplo”, falou Léia Cecília.

A investigação aponta danos ambientais calculados em aproximadamente R$ 53 milhões levando-se em consideração o custo estimado para recuperação das áreas degradadas, mas conforme a delegada, algumas dessas áreas não têm mais condições de serem recuperadas.

Todos os presos foram ouvidos e serão encaminhados para o sistema prisional. Eles responderão pelos seguintes crime: corrupção ativa e passiva; falsidade ideológica; advocacia administrativa; participação em organização criminosa e associação criminosa; simulação de origem de produto florestal e comercialização e transporte clandestino de produtos florestais.

O nome da Operação faz alusão ao verbo “forjar” em razão da principal prática criminosa de adulterar, manipular e simular créditos florestais.

Fonte: G1