Torres foram construídas em pontos estratégicos de onde é possível avistar longas distâncias e a 40 metros de altura

Na torre, o foco de incêndio é logo avistado e o trabalho de conter o fogo é iniciado mais rápido
Na torre, o foco de incêndio é logo avistado e o trabalho de conter o fogo é iniciado mais rápido

A estiagem prolongada que obrigou diversas cidades a adotar o racionamento de água também fez o número de focos de incêndio praticamente dobrar no Estado de São Paulo, em relação ao mesmo período do ano passado, nas propriedades rurais do interior. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desde o início do ano, 4.529 focos de queimada foram registrados. Em 2013, foram 2.055.

Só em outubro, até agora, houve 812 incêndios em florestas, matas e lavouras, uma média de 36 por dia. Para tentar evitar os incêndios e diminuir os prejuízos, as empresas de papel e celulose de Paulistânia, no interior do Estado, investem em novo profissional: o fiscal do fogo. Do alto de torres eles ficam atentos a qualquer indício de fumaça.

As torres foram construídas em pontos estratégicos de onde é possível avistar longas distâncias e a 40 metros de altura, as lavouras são vigiadas o tempo todo. Por terra, engenheiros florestais e técnicos percorrem as fazendas vizinhas para pedir ajuda aos agricultores no combate às queimadas quando necessário.

Francisco Leriano é um dos fiscais do fogo e a indústria de celulose onde ele trabalha tem mais de 50 mil hectares de eucaliptos plantados. Com um binóculo, ele passa o dia todo na floresta e já ajudou a descobrir 100 focos de incêndio. “Essa seca está castigando bastante as lavouras e os focos de incêndio aumentaram de três a cinco por dia. Fica mais fácil de ver as chamas de cima”, explica o fiscal.

Funcionário carbonizado

Em Borebi, na região de Bauru, o funcionário de uma indústria de papel morreu carbonizado no início da semana ao tentar apagar o fogo que consumiu 300 hectares de eucalipto. Além dele, outro trabalhador ficou ferido.

Além dos trabalhadores, em uma associação protetora de animais silvestres em Assis, pelos menos 150 animais foram resgatados nos últimos meses por conta dos incêndios. “Os animais chegam aqui em um estágio de difícil recuperação, com queimaduras graves acompanhado de mutilação de patas ou cascos. São ferimentos difíceis de tratar e que ainda causam graves sequelas”, diz o biólogo Aguinaldo Marinho.

Fonte: G1