Atualmente, é a espécie que ocupa maior área na floresta portuguesa.

Outra utilização apontada é a energética, através da produção de biomassa.
Outra utilização apontada é a energética, através da produção de biomassa.

Portugal utiliza essencialmente o eucalipto para produção de pasta de papel, mas uma investigadora do Instituto Superior de Agronomia defendeu a aposta em outros aproveitamentos, como o fabrico de produtos de madeira ou outros com utilidade farmacêutica.

“Temos praticamente só uma espécie de eucalipto, o ‘eucalyptus globulus’, e também praticamente só uma utilização, a produção de pasta de papel, que é uma produção óptima, a qualidade desta espécie é muito adequada a este produto, mas de facto a diversidade é pequena”, disse Helena Pereira.

A coordenadora do Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia (ISA) realçou a possibilidade de “ir para produtos do tipo mais químico, ou seja, extrair compostos químicos com potencial bioatividade, por exemplo, antioxidantes ou produtos com utilidades farmacêuticas e extrair esses compostos não só da madeira mas, por exemplo, também da casca”.

Uma outra utilização apontada pela especialista é a energética, através da produção de biomassa.

Este é um conceito de aproveitamento integral do recurso, neste caso do eucalipto, que se dividem em várias espécies, evitando desperdícios.

Helena Pereira falava a propósito da realização de um seminário sobre “Eucalipto – Produção e Ambiente”, que hoje decorre em Lisboa, iniciativa integrada no ciclo “Da Investigação à Aplicação”, com o objetivo de apresentar o trabalho do Centro de Estudos Florestais não só para conhecer melhorar as espécies florestais, mas também para encontrar formas de aproveitar as suas características.

“Podemos ter, por exemplo, a utilização para produtos de madeira sólida, produtos de madeira, que em Portugal e na Europa não utilizamos, mas que em outros países já são utilizados”, a partir de eucaliptos, explicou.

Questionada acerca da sanidade das espécies florestais, a investigadora referiu que a área “das doenças, das pragas é sempre um pano de fundo preocupante” já que ao afetar os eucaliptos, por exemplo, “têm como consequência a morte das árvores e a redução da oferta de madeira”.

Em Portugal, segundo a professora do ISA, o norte litoral e o centro litoral, até ao Algarve, são as áreas com mais aptidão para o eucalipto, uma espécie que “não se dá bem” em zonas de montanha, onde haja frio e geadas, ou em zonas com muita baixa precipitação e solos muito pobres, como aqueles existentes no interior do país.

Atualmente, o eucalipto é a espécie que ocupa maior área na floresta portuguesa, com 812 mil hectares, ou 25,8% do total, e o principal recurso industrial, a que são afetados 7,7 milhões de metros cúbicos de árvore sem casca, ou seja, 92% da madeira consumida para pasta de papel, segundo números do Centro de Estudos Florestais.

Cerca de 94% do total da indústria papeleira baseia-se no eucalipto, acrescentou.

Fonte: Sapo.pt