A indústria mundial da madeira representa um negócio de US$ 600 bilhões

O agrônomo José Graziano da Silva é diretor geral da FAO
O agrônomo José Graziano da Silva é diretor geral da FAO

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) defendeu, nesta semana, uma exploração “responsável dos recursos florestais”, dos quais “depende uma parte importante da população mundial”.

“Uma parte importante da população mundial depende, sob certos aspectos, de produtos florestais para satisfazer suas necessidades fundamentais de energia, moradia e certos aspectos de cuidados com a saúde”, indicou a FAO em seu informe, publicado a cada dois anos sobre a Situação das Florestas no Mundo, e apresentado na abertura do 22º Comitê de Florestas (COFO), em Roma.

O informe destaca, entretanto, que “as políticas florestais (…) não prestam atenção suficiente nas vantagens socioeconômicas, apesar de seu enorme potencial de contribuição para a redução da pobreza, o desenvolvimento rural e as economias mais verdes”.

“Serei claro: não podemos garantir a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável sem preservar e explorar os recursos florestais de forma responsável”, advertiu o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva.

De acordo com a FAO, a energia proveniente da floresta “constitui mais da metade da energia consumida em 29 países, sendo 22 na África”.

“Na Tanzânia, a madeira usada como combustível representa cerca de 90% do consumo total de energia”, destacou a agência especializada da ONU.

“Os países são convocados a mudar de direção, tanto na questão da coleta de dados quanto na elaboração de políticas, da produção ao lucro obtido com as florestas; dito de outra forma, passar das árvores aos indivíduos”, destacou Eduardo Rojas-Briales, vice-diretor-geral da FAO, encarregado das florestas.

Este apelo não se limita aos países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento. Na Europa e na América do Norte, 90 milhões de pessoas usam a madeira para se aquecer, uma solução cada vez mais apreciada para reduzir a dependência em energias fósseis.

A FAO lembrou ainda que o volume de negócios da indústria madeireira “oficial” representa “mais de 600 bilhões de dólares”.

Fonte: Painel Florestal