Produtor rural financiou R$ 1 milhão do Programa ABC para reflorestar 240 hectares da propriedade

O Estado de Minas Gerais possui enormes reservas de minério de ferro e, portanto, usa muito carvão vegetal no processo de fabricação do aço. As florestas plantadas, por sua vez, são grandes fontes de carvão vegetal para os fornos das siderúrgicas. Foi essa conjunção de fatores que fez o produtor rural Antônio Pontes Fonseca, 72 anos, tornar-se um defensor convicto da floresta plantada como forma de recuperar regiões degradadas e obter renda com a venda da madeira. “Há 25 anos, na época do governo de Francelino Pereira, recebi a medalha do mérito florestal porque, desde aquele tempo, eu já acreditava na floresta plantada”, lembra Antonio Pontes, que conseguiu financiar R$ 1 milhão pelo Programa ABC e estima aumentar em dez vezes a produção de carvão vegetal, que hoje é vendido em torno de R$ 150 o metro cúbico.

Antônio fez o empréstimo para plantar eucaliptos em 240 hectares de uma propriedade situada no município de Corinto, que fica na região centro-norte de Minas Gerais, a 209 Km de Belo Horizonte. O produtor rural conta que o local onde a floresta foi plantada era um cerrado degradado. “Antes de comprar a propriedade, há mais ou menos 15 anos, o proprietário antigo tinha desmatado o cerrado para produzir carvão vegetal e não havia a regeneração da área, porque tinha o hábito de colocar fogo para brotar uma pastagem para o gado”, disse. Segundo Antonio Pontes, a produtividade, quando do desmatamento do cerrado da região há 15 anos, era de 20 metros cúbicos de carvão vegetal por hectare e, agora, com a floresta de eucaliptos que plantou com a ajuda dos recursos do Programa ABC, espera produzir 200 metros cúbicos por hectare, valor dez vezes maior.

Além de enxergar o fator econômico no plantio de florestas, Antônio defende a prática como forma de diminuir a pressão pelo desmatamento do cerrado. “Eu também sou defensor do plantio de florestas porque, assim, se protege aquelas áreas que ainda não foram cortadas”, afirmou. O produtor rural lembrou também que o carvão vegetal não é a única destinação que há para a madeira dos eucaliptos. “Há uma série de opções para o produtor que deseja vender madeira, como a venda de toras para a indústria moveleira, de celulose, para fabricação de cercas, postes de luz, entre outros”.

Assistência técnica — O reflorestamento dos 240 hectares da propriedade do seu Antônio Pontes foi possível graças à assistência técnica do engenheiro agrônomo Alonso L´abatte Marques. “Eu trabalhava há alguns anos para o Antônio e ele vivia dizendo que queria reflorestar aquela área da fazenda”. Foi quando o Programa ABC foi lançado pelo Governo Federal. Alonso avisou Antônio da existência da linha de crédito que poderia financiar esse método de recuperação de áreas degradadas. “Elaborei o projeto que foi aprovado pelo banco e o dinheiro não demorou para ser liberado”, conta o engenheiro.

Fonte: CNA