Micorrízicos e nematófogos são econômicos, sustentáveis e diminuem produção de fitoparasitas em 88%

Os nematóides são fitoparasitas que atacam as raízes das plantas. Com relação ao cafeeiro, estima-se que em torno de 20% da produção de café tem sido reduzida por essa praga. Eles invadem o sistema radicular e se desenvolvem dentro dele, o que prejudica muito a absorção de nutrientes. Com isso, as plantas diminuem seu potencial produtivo, chegando à morte. Para combater esse problema, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) realizou uma pesquisa, onde foram usados dois tipos de fungos capazes de combater os nematóides de forma mais econômica, eficaz e sem prejudicar o meio ambiente. Segundo Élcio Balota, pesquisador do Iapar, os fungos utilizados na pesquisa foram os micorrízicos e os nematófogos.

— Os fungos micorrízicos provocam uma simbiose com as raízes das plantas, ou seja, eles penetram no sistema radicular das raízes, desenvolvendo várias estruturas dentro delas e ajudando na absorção de nutrientes do cafeeiro. Então, eles têm um efeito benéfico no aspecto nutricional das plantas — afirma o pesquisador.

Uma vez que o fungo micorrízico penetra e passa a viver no sistema radicular, ele não permite que o nematóide penetre e infecte o sistema, como explica Balota. Já os fungos nematófagos, de acordo com ele, possuem um efeito diferente, ou seja, eles não penetram no sistema radicular, mas sim, predam os nematóides.

— Eles desenvolvem várias estruturas que formam armadilhas contra os nematóides, se alimentando deles — conta.

Essa pesquisa, como diz o pesquisador, foi realizada não só em laboratório, como também em casa de vegetação. Foram utilizadas quatro diferentes cultivares de café, onde foram colocados substratos com nematóides, acrescentados de fungos nematófagos e micorrízicos.

— Esses fungos controlaram em até 88% a reprodução dos nematóides. Além disso, as plantas inoculadas por esses fungos tiveram melhor desenvolvimento e um teor superior de nutrientes, tanto na parte aérea como nas raízes. Portanto, esses dois fungos não só contribuem para o controle do nematóide, como também para o desenvolvimento e parte nutricional do cafeeiro — explica o pesquisador.

Por serem pragas de solo, é praticamente inviável fazer o controle com agroquímicos, uma vez que é muito caro e é preciso utilizar altas dosagens, como conta Balota. Para ele, ao utilizar esses fungos, o produtor terá uma grande economia, além do benefício para o meio ambiente.

Fonte: Portal Dia de Campo