Modestos ajustes para cima efetuados nas projeções para as colheitas de milho, arroz, feijão e sorgo resultaram na ampliação da projeção da Conab para a produção total de grãos no país nesta temporada 2011/12

Modestos ajustes para cima efetuados nas projeções para as colheitas de milho, arroz, feijão e sorgo resultaram na ampliação da projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a produção total de grãos no país nesta temporada 2011/12, que já entrou em sua etapa final.

De acordo com a Conab, o volume consolidado chegará a 157,8 milhões de toneladas, 0,5% mais que o previsto em fevereiro (157,1 milhões). Com isso, a redução em relação ao ciclo anterior (2010/11) diminuiu para 3,1%. A queda decorre de uma produtividade média que será 6,5% menor (3.053 quilos por hectare), uma vez que a área plantada total cresceu 3,6%, para 51,7 milhões de hectares.

Como já se sabe desde o fim do ano passado, ainda na fase de plantio, a produtividade média sofreu com os danos provocados por uma estiagem na região Sul e em parte de Mato Grosso do Sul, gerada pelo fenômeno climático La Niña. A seca afetou sobretudo lavouras de soja e milho, que lideram a produção brasileira de grãos. Arroz e feijão também foram prejudicados, mas em menor escala.

Para a soja, carro-chefe do agronegócio brasileiro, a nova estimativa de colheita da Conab (68,7 milhões de toneladas) é 0,7% inferior à divulgada no início de fevereiro e representa uma retração de quase 9% em relação a 2011/12. Esta baixa, que ainda poderá ser maior tendo em vista que a colheita no Rio Grande do Sul está atrasada, terá reflexos na produção de farelo e óleo e nas exportações de todo o complexo, conforme informou o Valor na semana passada.

No caso do milho, a projeção da Conab (61,7 milhões de toneladas) é 1,4% superior à anterior e 7,5% maior que o volume colhido no ciclo passado. Mesmo no Paraná, também afetado pela seca, as condições das plantações melhoraram na comparação entre os diagnósticos que levaram às projeções divulgadas em fevereiro e ontem.

Mas o aumento da produção total prevista ainda será garantida pela evolução da safrinha, com destaque para a ampliação prevista no Estado de Mato Grosso nesta frente. A safra de verão passou a ser projetada em 35,9 milhões de toneladas, queda de 0,1% sobre 2011/12, enquanto a safrinha de inverno deverá chegar a 25,8 milhões, alta de 20,1% em igual comparação.

Nesse contexto, e para evitar desabastecimentos pontuais por conta da seca no verão, o governo estuda um novo programa de logística para distribuição de milho no país. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Caio Rocha, disse que na próxima semana, integrantes da Pasta vão se reunir com a cadeia produtiva para discutir a deficiência de estoques em algumas regiões.

O governo publicará uma portaria atualizada autorizando o aumento de aquisição de milho por criadores de aves e suínos da região Sul, de 6 mil para 27 mil toneladas. O produtor deverá comprovar a necessidade de adquirir mais milho conforme o tamanho de seu rebanho. O Paraná será incluído devido à quebra de safra na região oeste do Estado. Até então, apenas Santa Catarina e Rio Grande do Sul estavam sendo beneficiados. (Colaborou Fernando Lopes, de São Paulo)

Fonte: Valor Online