Depois de amargar modestos 2,7% de taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, o governo aposta em robustos 5,5% em 2013, segundo informou ontem a ministra do Planejamento, Miriam Belchior

Depois de amargar modestos 2,7% de taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, o governo aposta em robustos 5,5% em 2013, segundo informou ontem a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.

“Tanto os 4,5% deste ano como os 5,5% do ano que vem são obsessões da presidenta, que está acompanhando de perto o desenvolvimento da economia”, afirmou.

Para o último ano do governo de Dilma Rousseff, a expectativa é ainda mais otimista: 6%. Se esses números forem concretizados, ela terá alcançado taxa média de crescimento de 4,7% ao longo de seu mandato.

As novas projeções de crescimento fazem parte dos parâmetros econômicos utilizados para elaborar o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2013, enviado ontem ao Congresso. Por eles, a presidente Dilma Rousseff chegará ao fim do governo com outra obsessão bem atendida: a taxa de juros. As projeções indicam que a Selic, fixada pelo Banco Central, chegará a 8,5% em 2014, novo mínimo histórico. Para 2015, a estimativa é ainda mais otimista: a taxa básica deve encerrar o ano em 8%.

Por outro lado, a taxa de câmbio não deverá ficar muito diferente do que está hoje, o que significa que os industriais continuarão a se queixar. As projeções são de R$ 1,84 em 2013, R$ 1,87 em 2014 e R$ 1,88 em 2015. A ministra esclareceu que essas são apenas estimativas, e que o governo não trabalha com uma meta de câmbio.

Mínimo. O salário mínimo continuará com reajustes elevados, decorrentes da política de valorização até 2015. Por ela, o piso é corrigido a cada ano pela variação do PIB de dois anos atrás, acrescida da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior. Assim, o valor ficará em R$ 667,75 em 2013, um reajuste de 7,36%.

Com isso, atingirá R$ 729,20, ou US$ 389,94, no último ano do governo Dilma. Em 2015, chegará a R$ 803,93, ou US$ 427,62. Só para comparar: em Bangladesh, um país muito pobre que se transformou num centro mundial de produção de confecções, o salário mínimo é de US$ 37.

Já as aposentadorias acima do salário mínimo não terão tratamento diferente: apenas a correção pelo INPC, sem aumento real. “Em face dos grandes desafios que temos para o País, acreditamos ser suficiente”, disse a ministra. “O Brasil é muito grande e tem muitas prioridades.”

Crescimento. As projeções do governo são bem mais otimistas do que as do mercado financeiro. Segundo a pesquisa Focus, que o Banco Central faz com mais de uma centena de instituições financeiras, as estimativas médias para o crescimento econômico são de 3,2% para este ano e de 4,2% para 2013. Ou seja, há concordância quanto à recuperação, mas não quanto à intensidade.

A ministra explicou que a economia deverá ser favorecida pela adoção das medidas de estímulo. Ela acredita que já no segundo semestre deste ano as medidas mostrarão seus “impactos cheios”. Há, além disso, a recuperação da economia mundial. A ministra citou dados da revista The Economist, que apontam expansão de 3,1% este ano e 3,9% no ano que vem.

Miriam Belchior evitou estender-se em comentários sobre a queda da taxa de juros, dizendo que esse é um tema para o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Mas afirmou que a decisão de manter a meta do superávit primário (economia de recursos para pagamento da dívida) no valor equivalente a 3,1% do PIB no ano que vem propicia a manutenção da trajetória de queda das taxas.

Assim, estima-se que Dilma chegará ao fim de seu governo com um saldo da dívida pública em 29,8% do PIB, ante 39,2% do PIB do final da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2015, ela deverá atingir 27,4% do PIB.

Fonte: O Estado de S. Paulo