Práticas como adubação de manutenção e diminuição da lotação animal podem reduzir prejuízos do produtor

A mortalidade de pastagens é muitas vezes associada a fatores externos, como chuvas excessivas ou períodos de seca. No entanto, medidas de manejo inadequadas, embora pouco abordadas pelos produtores, podem sim ser responsáveis pela degradação do pasto e consequentes prejuízos para a produção bovina. A mortalidade de pastagens, especificamente no Estado do Mato Grosso, foi tema de um workshop promovido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e pela Universidade Federal de Mato Grosso. No encontro, medidas de manejo como evitar o excesso de lotação animal e investir em adubação de manutenção foram citadas como forma de minimizar os problemas da degradação.

— Existem várias situações que implicam na mortalidade de pastagens. Uma das principais ocorre na região que margeia a Floresta Amazônica, onde existem certos tipos de solo com má drenagem interna. Com isso, vem ocorrendo a morte da braquiária brizanta por excesso de água nos períodos chuvosos que, como consequência, favorecem a instalação de fungos — Ademir Zimmer, pesquisador da Embrapa Gado de Corte.

Segundo Zimmer, até o momento, ainda não ocorreram grandes prejuízos esse ano. Ele conta que, normalmente, eles ocorrem a partir do mês de dezembro até janeiro e fevereiro, quando as chuvas intensificam. Portanto, a situação ainda não é séria.

— No entanto, existem outras situações que vêm ocorrendo ao longo do ano, como a morte por percevejo castanho e cigarrinhas, por excesso de lotação, a não reposição de nutrientes, períodos com chuvas muito intensas, além de secas mais acentuadas em algumas regiões. Portanto, existe um conjunto de múltiplos fatores — conta o entrevistado.

Ainda de acordo com o pesquisador, para resolver a questão, o mais importante é que os produtores acertem o manejo das pastagens e não as sobrecarreguem com lotação animal. Ele afirma que, no interior do Mato Grosso, aproximadamente 80% das pastagens têm excesso de lotação.

— Existe ainda o problema da falta de adubação de manutenção. Com isso, as pastagens antigas acabam sendo degradadas. Portanto, é necessária a correção de solos e a adubação para que essas pastagens voltem a ser produtivas — orienta.

Ocorrem ainda situações onde as pastagens são implementadas em áreas não apropriadas. Zimmer afirma que cada cultivar de forrageira tem seu ambiente apropriado para que possa produzir bem. Essa é mais uma questão para a qual o produtor deve atentar.

Além disso, a diversificação de pastagens, assim como a Integração Lavoura-Pecuária e Lavoura-Pecuária-Floresta também entram nesse conjunto de medidas que visam à diminuição da mortalidade das pastagens.

— Uma das formas mais econômicas e interessantes de recuperação é o cultivo de culturas anuais para repor os fertilizantes. Depois de um ou dois anos de culturas anuais, pode-se associar o estabelecimento de espécies florestais, como o eucalipto ou espécies nativas regionais. A partir de dois ou três anos de cultivo, o produtor retorna com a pastagem, fazendo a integração floresta-pasto. Portanto, os sistemas envolvem agricultura, floresta e pastagem dentro de uma mesma área e áreas distintas dentro da propriedade — explica.

Já o custo para a recuperação das pastagens degradadas, segundo Zimmer, é bastante variável e depende da intensidade da degradação.

Fonte: www.diadecampo.com.br