Identificar erros, organizar ações e cuidar do gado, levando em conta o bem-estar, evitam prejuízo

Racionalizar o trabalho de toda a fazenda é o objetivo da nova forma de conduzir a produção. O manejo racional busca entender as particularidades de cada produtor, fazer toda a equipe entender as necessidades do animal e, assim, cortar as perdas que são geradas na produção. Muitos fazendeiros ainda acham bobagem, mas o bem-estar animal pode fazer muita diferença no ganho do produtor. Se o animal se alimenta bem, descansa e não se estressa, ele ganha peso mais facilmente. Se for tratado sem agressividade, não terá machucados na carcaça.

— Manejo racional é a ação com conhecimento, é desenvolver as práticas de manejo tendo conhecimento do que você deve fazer e do que pode fazer. O primeiro passo é a conscientização da necessidade porque muita gente acha que esse tipo de manejo é desnecessário. E a conscientização tem que envolver todos, desde o proprietário da fazenda, o gerente e também quem está executando o trabalho, todos têm que estar comprometidos — caracteriza o especialista no assunto Matheus Paranhos, professor da Unesp Jaboticabal.

Para saber que tipo de medidas adotar na fazenda, o produtor deve primeiro fazer um estudo de reconhecimento do manejo, de tudo o que acontece no sistema de produção. Desta forma, é possível organizar todo o sistema e identificar onde estão as maiores dificuldades. Depois deste planejamento, deve ser feito um treinamento com os funcionários da fazenda, para que eles sigam as novas instruções.

— O primeiro benefício é a redução de estresse, dos próprios trabalhadores e também dos animais. O planejamento cria um ambiente de trabalho mais tranquilo. Em função da redução de estresse, há uma redução no risco de acidentes de trabalho. Em algumas fazendas o manejo racional reduziu os acidentes de trabalho em 80%. Além de machucar os trabalhadores, os acidentes podem formar machucados nos animais, o que deprecia a carcaça. Eles também podem formar hematomas e isso afeta o preço pago — explica Paranhos.

O especialista diz que o principal erro cometido atualmente, além da falta de organização, é a agressividade usada nos animais. Ainda é muito comum que os peões utilizem de pauladas para controlar os animais ou façam pressão excessiva, o que deprecia não só a carcaça, mas afeta diretamente o ganho de peso ou produção de leite porque um animal estressado, sem descanso produz menos.

— Muita gente acha que o manejo racional será complicado, mas não é. Basta ter boa vontade. Mesmo com baixíssimo investimento, apenas com a leitura do material sobre o manejo racional já é possível mudar a postura de condução da fazenda, racionalizar o manejo, fazer o planejamento e, com isso, evitar perdas no processo produtivo — ensina o professor.

Fonte: Dia de Campo