Movimentação constante dos grãos durante a secagem, tulha de qualidade e transporte rápido são responsáveis pela boa lucratividade do produtor

area-cafeAlém do solo de qualidade e de boas cultivares, técnicas de manejo são responsáveis pela boa qualidade do café, como a secagem e a armazenagem. Segundo Alcides Segatelli, gerente de departamento de café da Cooperativa Casul, para fazer a secagem dos grãos, primeiramente, o produtor deve verificar a época certa onde tenha uma porcentagem pequena de grãos verdes. O café estar mais aproximado do tamanho cereja para que a colheita possa ser iniciada. Esse café deve ser colhido e transportado para os terreirões o mais rápido possível.

— O café não deve ficar armazenado em sacarias. Ele deve ser esparramado rapidamente em camadas de 1cm ou, no máximo, 2cm. Isso deve ser trabalhado no terreirão praticamente 10 ou 12 vezes, mexendo o café até que ele atinja uma pré-secagem e que não contenha mais grãos em cereja para não causar fermentação — afirma o gerente.

A partir do 4º ou 5º dia, de acordo com ele, a mão-de-obra do cafezal deve começar a engrossar mais esse café, passando para camadas de 5cm a 10cm, obtendo assim uma secagem uniforme. Segatelli fala que esse é um passo importantíssimo para obter a boa qualidade do produto.

— O produtor deve ter uma mão-de-obra eficiente que possa movimentar o café o dia inteiro e obter uma secagem uniforme. Esse café não pode estar muito espesso no começo da colheita, pois assim, com os raios solares, ele causa uma fermentação. Portanto, ele deve mexer bastante o café para que ele possa respirar e não fermentar. Com esses cuidados, o produtor terá um café de qualidade, conseguindo assim melhores preços — explica.

O gerente conta ainda que, quando o café tiver umidade de 11%, já está seco o bastante para ser armazenado. Segundo ele, o produtor deve ter também uma tulha de primeira qualidade. Além disso, os produtores que não tiverem uma estrutura boa na propriedade, devem transportar o café o mais rápido possível no seco para cooperativas. Assim, ele evita prejuízos com vendavais, já deixando o café pronto para a comercialização.

— O café vem sofrendo muitos preços baixos nesses últimos anos. Com isso, o produtor não tem capital necessário para reformar sua estrutura na fazenda. O que ele faz então é colher o café, vendê-lo e pagar as contas bancárias. Com a melhora do café no último ano, é possível que o produtor consiga acumular capital para investir na lavoura — diz.

Fonte: Portal Dia de Campo