O abastecimento de milho virou questão de segurança nacional

O abastecimento de milho virou questão de segurança nacional. O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, apelou ao ministro da Defesa, Celso Amorim, pedindo que as Forças Armadas apoiem a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na remoção de milho dos estoques governamentais armazenados em Mato Grosso e Goiás, que está sendo vendido a preços subsidiados a pequenos criadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e da Região Nordeste, onde a estiagem provocou forte quebra da safra.

O diretor de Operações e Abastecimento da Conab, Marcelo de Araújo Neto, relatou que na semana passada o brigadeiro Carminati, interlocutor designado pelo ministro Celso Amorim, pediu uma série de informações sobre rotas e volumes. “Enviamos as informações e agora estamos aguardando que o Ministério da Defesa se posicione, dizendo em que poderão ajudar, quais são os tipos de caminhões e qual a logística que podem ofertar.”

Araújo Neto acredita que até quinta-feira a Conab deve dispor de dados concretos do Ministério da Defesa sobre a frota disponível e quais as rotas que poderão ser atendidas, para então dar início à formalização do convênio. Ele estima que, com a ajuda das Forças Armadas, a Conab removerá mais 400 mil toneladas de milho para atender os pecuaristas e criadores de aves e suínos que enfrentam problema com escassez e alto preços do cereal, que disparou a partir de junho, quando foi confirmada a forte quebra da safra dos Estados Unidos.

Na Região Nordeste, o milho do governo é vendido a R$ 18,12 a saca nos lotes de até 3 toneladas para os produtores enquadrados nos programas da agricultura familiar, valor bem abaixo dos R$ 40 praticados no mercado das principais praças e dos R$ 50 nas regiões mais distantes, o que reflete o frete para remoção do cereal do Centro-Oeste. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o limite de compra por produtor é de 27 toneladas, ao custo de R$ 21 a saca de 60 quilos, enquanto no mercado o cereal é negociado a R$ 35 a saca.

Dificuldades. A Conab está enfrentando dificuldades para remoção do milho desde o fim de julho, quando os motoristas autônomos bloquearam as rodovias em protesto contra a nova Lei dos Caminhoneiros. A partir de agosto, as empresas que tinham arrematado o frete nos leilões da Conab mostraram desinteresse em cumprir os contratos, alegando que a nova legislação elevou os custos, pois as viagens nas longas distâncias se tornaram mais demoradas, por causa da redução da jornada de trabalho do motorista empregado.

Sinal de alerta. Para o presidente da Conab, Rubens Rodrigues dos Santos, além do argumento das transportadoras sobre a nova legislação, outro fator que contribuiu para reduzir o interesse das transportadoras foi o aumento da demanda por caminhões para exportação de milho, que atingiram o recorde de 2,761 milhões de toneladas em agosto.

Ele explica que as viagens para os portos e terminais rodoferroviários são mais curtas e têm garantia de frete de retorno, o que não ocorre na remoção dos estoques da Conab, cujas rotas estão fora dos trechos tradicionais.

Segundo balanço da Conab, até a semana passada foram escoadas 226,3 mil toneladas das 380,3 mil toneladas que têm fretes contratados por meio dos leilões. Do total, 199,3 mil toneladas já foram descarregadas no destino.

Na quinta-feira, a Conab realiza mais um leilão de frete para contratar a remoção de mais 116,8 mil toneladas. O presidente da Conab afirmou que os valores dos fretes devem ser maiores que as do leilão realizado na semana passada, quando houve interesse para remoção de apenas 2 mil toneladas das 101 mil ofertadas.

Fonte: O Estado de S. Paulo