A rejeição ao texto do Código Florestal enviado por senadores à Câmara dos Deputados é vista como uma possibilidade “desastrosa” dentro do Ministério do Meio Ambiente, disseram fontes da pasta nessa quinta-feira (09).

Uma versão da proposta havia sido aprovada em maio de 2011 na Câmara e enviada ao Senado. O governo, descontente com o resultado, participou ativamente das negociações no Senado e promoveu mudanças que considera “positivas”.

Aprovado em dezembro pelos senadores, o texto voltou a tramitar na Câmara e deve ser votado em março. Restam aos deputados duas opções: acatar ou rejeitar pontos da proposta enviada pelo Senado.

Uma das fontes disse à Reuters que se a Câmara “mexer” no texto ao rejeitar algum dos pontos aprovados no Senado, isso poderia “desandar” todo o processo de negociação. Outra fonte afirmou que um eventual retorno à proposta aprovada em maio pelos deputados iria “estourar o dique”.

Durante coletiva de imprensa nesta terça-feira, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, elogiou o texto aprovado pelo Senado e se colocou à disposição para dialogar com os deputados.

“Como sempre, eu tenho me colocado como uma pessoa pronta para dialogar. Eu irei à Câmara dialogar com os deputados e vamos obviamente lutar para ter um Código Florestal com segurança jurídica, com ganhos ambientais e com sustentabilidade para a produção agrícola… Agora, é um Código Florestal, não é um código só de agricultura”, disse a jornalistas.

A proposta inicial aprovada pela Câmara causou polêmica e foi vista por setores ambientalistas como um retrocesso ao ampliar as possibilidades de ocupação em Áreas de Preservação Permanentes (APP).

O texto também sofreu críticas de defensores de uma lei ambiental mais rígida pelo que consideram uma “anistia” a quem cometeu crimes ambientais.

No Senado, foram incorporadas à proposta mudanças que, segundo a própria ministra, conferem mais “segurança jurídica” à lei. Ela lembrou que senadores incluíram dispositivos de incentivos econômicos a proprietários rurais que preservarem ou recuperarem vegetação nativa.

Durante a tramitação no Senado, um grupo de ambientalistas e representantes da sociedade civil entregou à presidente Dilma Rousseff um documento com 1,5 milhão de assinaturas pedindo que ela vete dispositivos que, na visão dele, anistiam e estimulam o desmatamento.

A presidente já havia afirmado, em maio de 2011, que iria vetar trechos que considerar prejudiciais ao país e se declarou contra a consolidação de áreas desmatadas ilegalmente e a anistia a desmatadores.

DESMATAMENTO

Dados divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério do Meio Ambiente apontam que houve uma redução no ritmo de desmatamento nos biomas do Pantanal, Mata Atlântica e Pampa no período entre 2008 e 2009.

“Há uma redução da dinâmica e da magnitude do desmatamento”, disse Izabella a jornalistas. O anúncio sobre os dados de desmatamento de outros biomas, que não a Amazônia, é feita pelo governo federal num momento em que o país se prepara para sediar, em meados do ano, uma importante conferência internacional sobre meio ambiente, a Rio+20.

O Pampa teve 0,18 por cento da cobertura total desmatado neste período, enquanto o Pantanal perdeu 0,12 por cento de sua vegetação nativa, segundo os números do ministério.

Entre 2002 e 2008, o Pampa teve 1,2 por cento de área desmatada e o Pantanal registrou supressão de 2,83 por cento de sua vegetação.

O desmatamento na Mata Atlântica ficou quase estável entre 2008 e 2009. Apenas 0,02 por cento da área foi desmatado no período.

A ministra afirmou que a pasta pretende consolidar e divulgar ainda neste ano os dados de desmatamento referentes ao período entre 2009 e 2010 para esses biomas.

Fonte: Reuters