Brasil aposta na venda para outros países como alternativa à restrição imposta pela Rússia

Enquanto o governo realiza novos movimentos para tentar colocar um ponto final ao embargo imposto pelos russos às carnes brasileiras desde junho do ano passado, a indústria encontra alternativas para diminuir o impacto da restrição. Números divulgados nesta semana mostram que a estratégia de apostar em novos mercados deu certo. Enquanto os embarques para a Rússia caíram 19,6%, as vendas para outros mercados cresceram 14,7%.

Surpreendidos com a decisão russa, produtores de suínos viram as encomendas de países como Hong Kong e Ucrânia absorverem uma fatia significativa do que o país deixou de embarcar para os russos em 2011. Mesmo com as restrições de seu principal comprador, as vendas, que alcançaram 540 mil toneladas em 2010, caíram somente 20 mil toneladas no último ano. Segundo entidades ligadas ao setor, a prospecção de novos clientes foi vital para evitar um rombo maior. De olho nos países pouco afetados pela crise na zona do euro, produtores projetam crescimento de 15% nas exportações em 2012.

– Nosso status sanitário não deixa a desejar a país nenhum, tanto que, recentemente, missões da Coreia do Sul e do Japão aprovaram nossas plantas – observa o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos, Marcelo Lopes.

Motor da economia mundial na última década, a China se tornou a maior aposta dos suinocultores. Especialistas estão convencidos de que os chineses têm potencial para desbancar a Rússia e se tornar os maiores compradores da carne suína brasileira nos próximos anos. Atualmente, três frigoríficos do país têm aval para exportar para a potência asiática. Outros cinco esperam autorização do governo chinês.

A chegada de um relatório da missão russa que visitou o Brasil em novembro e um encontro do Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, com a ministra da Rússia, no próximo dia 17, em Berlim, são duas perspectivas de solução. O secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto, acredita que a entrada da Rússia na OMC, oficializada dia 1º, também pode facilitar as negociações.

Fonte: Zero Hora