“Digo sem medo de errar: o agronegócio salvou o Brasil”. A declaração é do jornalista Carlos Alberto Sardenberg

“Digo sem medo de errar: o agronegócio salvou o Brasil”. A declaração é do jornalista Carlos Alberto Sardenberg, âncora da Rádio CBN e comentarista econômico do Jornal da Globo e da Globo News. Para ele, existe um certo preconceito em setores industriais com relação ao fato de o Brasil ser um grande exportador de commodities. “Muita gente acha que é fácil produzir já que temos bom solo e água. Mas não sabe o grau de tecnologia embutido hoje na produção de alimentos”, ressaltou.

O jornalista – que esteve em Londrina na segunda-feira a convite do Sicredi para uma palestra após o lançamento do prêmio Ocepar de Jornalismo, na 52 ExpoLondrina – lembrou que, até o início da década passada, o Brasil tinha baixa capacidade de gerar dólares. “Toda vez que havia uma crise, o País era afetado porque não tinha dólares, mas devia em dólares”. Foi o agronegócio que, segundo ele, trouxe a moeda americana para dentro o País.

Ele destacou que a dívida pública brasileira era de US$ 138,6 bilhões em 2003 e passou a US$ 76,7 bilhões em 2011. No mesmo período, as reservas de dólares saltaram de US$ 15,9 bilhões para US$ 352,1 bilhões.

Sardenberg também lembrou da estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU) de que a população mundial, hoje de 6 bilhões de habitantes, deve chegar a 9 bilhões em 2050. E que o organismo da própria ONU que trata da Agricultura e Alimentação, a FAO, prevê a necessidade de aumento de 60% na produção de alimentos até lá. “E o Brasil é apontado como o País capaz de oferecer 50% desta nova demanda”, ressaltou.

De acordo com o jornalista, países como os Estados Unidos não têm muito mais a oferecer em termos de produtividade agrícola porque já empregam a mais alta tecnologia. “O governo brasileiro deveria ter isso como um foco. Deveria ter uma política estratégica para sustentar a produção agrícola”, disse. E lamentou que a Embrapa, que foi “fator crucial” para o agronegócio brasileiro, esteja “sendo deixada de lado” pelo governo.

Erros e acertos – O jornalista também discorreu sobre medidas positivas tomadas pelos governos nos últimos anos. Citou as privatizações, o aumento de crédito para carros e casas, o câmbio flutuante e os programas sociais. Mas disse que o País capitula com taxas de crescimento muito baixas. “Na média, o Brasil vem crescendo a 4,2% nos últimos anos enquanto a média dos demais emergentes – sem a China – é de 6,5%”, ressaltou.

E disse que o Brasil tem se destacado mais que outros emergentes no cenário internacional porque, “em economia, tamanho é documento”. “Somos o 6º maior PIB, o 8º em consumo de petrólero, o 3º no mercado de computadores, o 5º na telefonia e o 4º do mundo em carros”, detalhou.

No entanto, o País não cresce num ritmo compatível com seu gigantismo por falta de investimentos. Ele ressaltou que a carga tributária vinha na faixa de 24% até 92, com inflação galopante. A partir do Plano Real, ela começou a subir chegando a 37%. “Enquanto a carga tributária sobe, os investimentos em infraestrutura caem”, mostrou. O Brasil, continuou, gasta muito com Previdência e com o custeio da máquina, enquanto a infraestrutura se deteriora. “Gastamos 12% do PIB em aposentadoria, tendo 6% da população aposentada. A Alemanha gasta 11% do PIB, tendo 20% de aposentados”, comparou.

De acordo com Sardenberg, enquanto os demais emergentes investem cerca de 28% do PIB em infraestrutura, O Brasil só destina 18% para esta áreas. Por isso, na opinião do jornalista, não há saída que não seja novas privatizações. “O PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) previa R$ 5 bilhões para os aeroportos das cidades da Copa. Depois que o governo decidiu privatizar, só um aeroporto (Guarulhos) vai receber R$ 13 bilhões”, disse.

Fonte: Folha Web - Londrina