A publicação da Ata da 166.ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) teve a vantagem de dar uma informação importante: o processo de redução da taxa básica de juro (Selic) não acabou

A publicação da Ata da 166.ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) teve a vantagem de dar uma informação importante: o processo de redução da taxa básica de juro (Selic) não acabou, mas, a partir de agora, teremos uma flexibilidade monetária conduzida com parcimônia, dependendo da evolução da economia internacional e nacional e – somos tentados a dizer – da definição do governo em relação à remuneração das cadernetas de poupança, que o atual nível da Selic já obriga a reduzir.

As autoridades monetárias continuam otimistas, em certos pontos até excessivamente. Reconhecem que o ambiente internacional continua preocupante, mas conseguem ver “vantagens” nesta situação, que cria um ambiente de contenção dos preços e permite ao Brasil captar recursos externos em condições vantajosas, embora o Copom não chegue a falar claramente da vantagem decorrente das importações a bom preço.

Elas, no entanto, atribuem ao ambiente internacional uma certa responsabilidade pela queda da atividade industrial e pelo afrouxamento da demanda doméstica que, pensam as autoridades, poderá melhorar graças às medidas tomadas pelo governo para dinamizar a indústria, notando que está diminuindo o descompasso entre oferta e demanda – a grande preocupação do Copom alguns meses atrás.

Não há na ata nenhuma análise sobre a redução daquele descompasso, que se pode explicar pelo aumento do endividamento das famílias, de um lado, e pela elevação do “custo Brasil”, de outro. Quando fala da austeridade fiscal do governo, a ata não toca no aumento da carga tributária nem na má distribuição dos gastos com os investimentos sendo sacrificados. Pode-se dizer que não é atribuição da autoridade monetária tratar desses problemas, mas, então, por que exaltar a atual política fiscal?

As perspectivas para a inflação são realmente boas, porém o Copom parece negligenciar os efeitos de uma desvalorização do real e o exame de como um aumento dos derivados do petróleo mudaria o panorama. Com razão, a ata assinala sua preocupação decorrente dos reajustes salariais incompatíveis com um aumento da produtividade.

Daí surge a questão principal: qual é o limite de uma redução da taxa Selic no contexto atual? A ata abre a perspectiva de nova queda na próxima reunião, dos dias 29 e 30 de maio: se houver, será limitada a 8,75%, mas num panorama ainda incerto, pois continuaremos a ter as consequências das crises no exterior.

Fonte: O Estado de S. Paulo