Auto-estima é a necessidade que reúne o agro ao cidadão urbano emergente

Wolf Seeds - Novembro 2011

O que pensa a cidade dos negócios lá do campo? O que pensam as classes sociais emergentes, das grandes cidades brasileiras, sobre o agronegócio? Qual é a percepção dos segmentos de alta renda e com altíssima educação a respeito do setor agrícola? Será que o conceito da cadeia de valor do “agribusiness” é decodificado pela população urbana?

Para desvendar essas questões o Núcleo de Agronegócio da ESPM finalizou uma pesquisa na cidade de São Paulo, para ajudar a colocar luz no tema. Foi uma pesquisa exploratória, sendo uma quantitativa com 77 pesquisados, no segmento de alta renda e altíssima educação e outros dois grupos numa pesquisa qualitativa,  da classe “C”, sendo um dos grupos mulheres e o outro homens.

Assisti pessoalmente a um dos grupos, na reunião das mulheres Classe C, Lembrei-me da inesquecível expressão do Joãozinho 30, carnavalesco vitorioso, que disse “quem gosta de miséria é intelectual!”. Uma sensação parecida tive, ao sentir um forte orgulho dos entrevistados ao associarem o progresso, a importância internacional do agronegócio brasileiro, ao respeito que o mundo passou a conferir para o Brasil nesse setor.

Imediatamente estabeleci uma relação de valores e de auto-estima entre a vontade de inclusão e de sucesso desses cerca de 100 milhões de brasileiros, da nova classe média, com o êxito do agronegócio. Ouvi e vi um discorrer claro sobre o que significa agronegócio, “os negócios das coisas que são produzidas a partir do que é feito no campo”; presenciei debates entre os participantes falando desse novo interior, diferente do passado, com tecnologia, com mais qualidade de vida.

Nesse grupo de mulheres classe C, a associação entre o ” novo interior ” do Brasil, com o agronegócio fica claro. Há esperança, existe satisfação e uma imagem de poder, beleza e riqueza, nos remetendo então ao luxo das escolas de samba e às verdades proferidas por Joãozinho Trinta. Do plano Real, até agora, vimos as classes C/D brasileiras que representavam 39% do consumo no país, passarem a significar 60% do consumo nacional. A ascensão provocou mudanças de valores, necessidades, vontades e desejos diferenciados de consumo. O movimento sociologico das classees sociais está sempre acompanhado por simbolos de status e de poder. E, nesse sentido, vi uma relação umbilical entre a nova classe média do país e o significado de sucesso do que passou a representar, e consequentemente ser percebido, o agronegócio.

Existem aspectos desagradáveis nas percepções urbanas? Sim. Nesse mesmo grupo, o êxodo rural é associado ao pequeno, ao pobre, ao sofrido do campo. Porém, vi uma clara distinção de percepção entre esse “campo de sucesso” o agroengócio, versus o ” campo do atraso “, o antigo…

Fica agora um sentimento a partir da observação do grupo entrevistado: Inclusão é o nome do jogo. Auto-estima é a necessidade que reúne o agro ao cidadão urbano emergente. Existem afinidades. O que está faltando é uma ação inteligente de comunicação que apresente, de maneira amiga, fraternal e carinhosa, a nova classe média urbana do país à nova sociedade trabalhadora e empreendedora do campo.

O Agronegócio mudou o Brasil, e o cidadão urbano brasileiro guarda, no seu íntimo, uma forte admiração pelo campo.

Texto elaborado com exclusividade para o material InfoWolf 16

Fonte: www.diadecampo.com.br