O governo decidiu aumentar em 6% os preços do diesel nas refinarias, a partir de amanhã

O governo decidiu aumentar em 6% os preços do diesel nas refinarias, a partir de amanhã. Aproveitou, assim, a fase de baixa pressão inflacionária para favorecer o caixa da Petrobrás e reduzir a defasagem entre os preços externos e internos – de 23% para 18%, calcula Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). A correção se justifica, mas, sendo o diesel um insumo essencial, haverá provável repercussão na inflação, principalmente em 2013, quando as estimativas são piores.

Os preços dos combustíveis recebidos pela Petrobrás têm sido corrigidos a conta-gotas, evitando-se o repasse dos aumentos para o consumidor. Há 20 dias, foi eliminada a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e a estatal passou a receber mais 7,83% pela gasolina e 3,94% pelo diesel entregues às distribuidoras. Agora, com o repasse ao consumidor, o diesel poderá custar mais 4% nas bombas, estima a Petrobrás, ou mais 6%, segundo o sindicato dos postos (Sincopetro).

O diesel terá modesto impacto direto na inflação oficial (IPCA), segundo analistas. Por elevar o custo do transporte urbano e de carga, o impacto indireto será maior nos IGPs. É inevitável que o aumento do diesel tenha alguma repercussão negativa sobre o custo de vida e sobre alguns setores da atividade econômica.

Pagando mais caro pelo petróleo e pelos combustíveis importados, mas mantendo inalterados os preços internos, o governo concedia um subsídio indireto aos consumidores à custa da Petrobrás e de seus acionistas. O benefício será menor agora, o que provocou imediata repercussão sobre as cotações das ações da estatal em bolsa.

O petróleo e derivados estão entre os itens que mais pressionam a balança comercial. Entre janeiro e maio, o déficit por eles gerado foi de quase US$ 7,4 bilhões. As importações de diesel aumentaram de 105 mil barris/dia, nos primeiros cinco meses de 2011, para 145 mil barris/dia, no mesmo período deste ano. Mas como não é possível, nem a curto nem a médio prazos, reduzir o peso do diesel na economia, não se deve esperar que a alta provoque queda do consumo nem impacto na balança comercial.

De fato, pouco poderá ser feito até que avance o programa de refinarias da Petrobrás, sem data para conclusão. A primeira das refinarias previstas é a Abreu e Lima, na qual 65% da produção será de diesel, prevendo-se que atenda a 20% da demanda. Até lá, dadas as necessidades de capital, a estatal deverá continuar defendendo a política de mais reajustes.

Fonte: O Estado de S. Paulo