Em setembro, recuaram pela sétima vez, em 2012, as taxas de juros das operações de crédito, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac)

Mas os juros ativos (cobrados dos tomadores de empréstimos) continuam altos, enquanto os juros passivos (pagos pelas instituições financeiras aos aplicadores) são, em muitos casos, negativos, isto é, inferiores à inflação. Juros reais abaixo de 2% ao ano são insustentáveis, segundo estudo dos economistas do Ibre-FGV Samuel Pessoa, Luiz Schymura, Armando Castelar e Régis Bonelli.

Entre agosto e setembro, os juros do comércio caíram de 4,55% ao mês para 4,20% ao mês e são os menores desde 1995. A queda foi proporcionalmente maior nos financiamentos para a compra de automóveis pelo CDC, de 1,70% para 1,54% ao mês. Empréstimos pessoais nos bancos custavam, em média, 3,45%, em agosto, e 3,27% ao mês, em setembro. Mas as linhas mais caras caíram pouco: o custo do cheque especial declinou de 8,05% ao mês para 7,95% ao mês – o que ainda equivale a 150,42% ao ano.

E, pela primeira vez em 33 meses, diminuiu a taxa de juros das compras financiadas pelo cartão de crédito, de 10,69% ao mês (238,3% ao ano) para 10,41% ao mês (228,17% ao ano). É a menor taxa desde junho de 2008, o que dá uma ideia de quão cara foi a modalidade nos últimos 51 meses.

Os juros cobrados das empresas também caíram, de 1,84% ao mês, em agosto, para 1,72% ao mês, em setembro, nas operações de capital de giro; de 2,46% para 2,26% ao mês, no desconto de duplicatas; e de 6,02% para 5,94% ao mês, nas contas garantidas. Em média, as taxas pagas pelas pessoas jurídicas diminuíram de 50,06% para 47,81% ao ano, no mês passado

Nem todas as empresas se dão por satisfeitas, apesar da queda dos juros: por exemplo, nos últimos seis meses, 65% das micro e pequenas empresas de Minas Gerais não sentiram mudança nos juros e 7% nem têm conhecimento do assunto, enquanto 28% notaram um ganho, mostrou pesquisa feita pelo Sebrae-MG.

Entre setembro de 2011 e setembro de 2012, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros de 12% para 7,5% ao ano, ou seja, em 37,5%, mas a taxa média cobrada das pessoas físicas diminuiu só 18% e das pessoas jurídicas, 19,7%.

Ou seja, o custo dos empréstimos continua sendo, em geral, elevado para famílias e empresas, especialmente numa fase de baixo crescimento econômico, em que é essencial manter as finanças equilibradas. Para quem pode, esperar parece opção melhor do que se endividar, embora a remuneração dos fundos DI (0,54%, em setembro) e das novas cadernetas (0,41%) já seja inferior à inflação oficial (de 0,57% no mês).

Fonte: O Estado de S. Paulo