Resultado econômico de 2013 afeta a atração de investimentos e as expectativas dos mais variados setores da economia nacional para o ano de 2014

Os planos e programas governamentais buscam, de maneira geral, estruturar atividades que permitam o melhor resultado econômico e financeiro das mesmas, e com isso contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da sociedade objeto desses planos.

Para Joésio, resultado econômico de 2013 afeta a atração de investimentos.
Para Joésio, resultado econômico de 2013 afeta a atração de investimentos.

Uma das ações mais perseguidas pelos governos diz respeito à ampliação do efeito multiplicador da atividade primária, via instalação industrial nas proximidades das áreas produtivas. Assim, exemplos dessa afirmativa são, o cultivo de grãos nos Campos Gerais do Paraná e as unidades processadoras dos mesmos em sua área de influência; o plantio de florestas e uma planta de celulose nas proximidades dessa área, como é o caso da região de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, ou ainda, com as fábricas de celulose e os plantios existentes no sul da Bahia.

Os recentes levantamentos de informações realizados e divulgados pelo IBGE, mostram que o Produto Interno Bruto – PIB Nacional, experimentou um crescimento, em 2013, de 2,3%, atingindo o patamar, em valor absoluto, de R$ 4,8 trilhões.

O maior contribuinte, com participação de 7%, foi agropecuária, seguido dos serviços com 2%, e a indústria 1,3%. Alguns economistas vinculados ao Governo estão eufóricos com esse resultado, no entanto, não é possível considerar esse resultado, segundo a maioria dos especialistas em economia, a não ser como medíocre.

Isto posto é claro que esse resultado econômico de 2013 afeta a atração de investimentos e as expectativas dos mais variados setores da economia nacional para o ano de 2014.

Sem investimentos não é possível garantir a sustentabilidade do crescimento econômico, e a queda no volume investimentos tem sido, a cada ano, mais acentuada. Quando se inclui o setor florestal a resposta não é diferente.

Não foi possível observar investimentos significativos nesse setor no ano de 2013 e as possibilidades para tanto em 2014 não são alvissareiras.

Os investimentos que estão ocorrendo no Brasil vinculam-se, em grande parte, à infraestrutura para a Copa do Mundo.

Enquanto isso o setor florestal que possuía expectativa de investimentos, ao final da primeira década deste século, que ultrapassavam R$ 20 bilhões, somente para o segmento industrial de celulose e papel, e que não se realizaram devido à insegurança jurídica, hoje é de adiar e, até mesmo, de transferir para outros países. Estimativas preliminares mostram que este ano e no próximo deveremos ter investimentos vinculados à indústria madeireira ao redor de R$ 2 bilhões, talvez uma nova fábrica de celulose possa mudar um pouco esse cenário; algo no segmento de chapas (talvez uma nova fábrica); uma ou duas novas unidades produtoras de madeira processada mecanicamente (serrarias ou pisos) e nada mais que isso.

Ou seja, investimentos pouco significativos, menos de 10% da expectativa de 2010. Com isso o prognostico para o setor florestal em nível Brasil é da diminuição de sua participação no PIB Nacional, que hoje é de 1,25% (aproximadamente R$ 60 bilhões), para um valor abaixo de 1%.

Valores absolutamente insignificantes quando comparados com países como a Finlândia, onde o setor florestal contribui com quase 10% do PIB, ou o Chile com mais de 6%.

Como alternativa ao prognóstico referido, seria aconselhável que o setor florestal se mobilizasse para, via um Plano adequadamente elaborado, sugerir ao Governo opções que permitam melhorar seu desempenho, especialmente ampliando e melhorando sua competitividade.

Esse Plano deveria necessariamente conter,

i) um diagnóstico do setor florestal, mostrando os gargalos na produção de madeira, nas atividades industriais e no comércio;

ii) alternativas às taxas de juros praticadas atualmente ou pelo menos para sua estabilização em patamar que propicie os investimentos de longo prazo;

iii) proposta de ajuste ao câmbio, como forma de facilitar a exportação de produtos e subprodutos da indústria madeireira;

iv) também na indústria e como forma de estimular o crescimento e aumentar o número de empregos efetivos, até mesmo porque é a indústria que tem a maior contribuição de impostos, ampliar a desoneração da folha de pagamento;

v) buscar, juntamente com outros setores da economia que guardam relação direta e indireta com o florestal, mecanismos que permitam a redução da carga tributária;

vi) ampliar os estímulos públicos, tanto à atração de investimentos na formação de florestas plantadas (por exemplo eliminando a questão do impedimento/acesso à terra ao investidor estrangeiro), como para a implantação e melhoria da infraestrutura logística, à implantação de novas indústrias de base florestal, entre outros pontos importantes à esse Plano.

Finalmente, a contribuição do setor florestal brasileiro a uma sociedade carente e socialmente injusta, não está somente no processo de geração de emprego e renda, e na ampliação de sua participação no PIB, mas sim e principalmente, na efetivação do uso adequado dos recursos naturais – florestais, solos, água e outros – que este país detém e que pode e deve ser usado (de forma sustentável) para sanar os problemas e necessidades dessa sociedade.

*Vice-presidente da STCP Engenharia de Projetos LTDA. e professor aposentado da UFPR.

Contato: joesio@stcp.com.br

Fonte: Painel Florestal