Vantagem: ao contrário do palmito comum, o pupunha não escurece. Foto: Ernesto de Souza
Vantagem: ao contrário do palmito comum, o pupunha não escurece. Foto: Ernesto de Souza

A pupunha é uma palmeira muito utilizada na região amazônica e que, devido ao seu grande potencial, vem sendo difundida em vários estados do Brasil (Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Santa Catarina, entre outros).

Nos últimos anos, a cultura da pupunha tem crescido a uma taxa que gira em torno de 25% ao ano no Brasil, cuja área plantada chega a 15 mil hectares. Para suprir a demanda atual, seria necessário o plantio de aproximadamente 130 mil hectares de pupunha.

Vantagens do palmito

Segundo pesquisas realizadas pelo Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), essa espécie apresenta as seguintes vantagens em relação às duas espécies exploradas comercialmente, juçara (Euterpe edulis) e açaí (Euterpe oleraceae): os cortes podem ser realizados a partir de 15 a 36 meses após o plantio no campo; comporta-se bem em solos de baixa fertilidade; apresenta de dois a 15 perfilhos por planta, bom rendimento e não escurece após o corte.

Além de fornecer palmito, expõe Arthur Netto, consultor da InvestAgro Reflorestamento, essa palmeira disponibiliza frutos que, quando cozidos em água e temperados com sal, podem servir como iguaria. “A pupunha ocupa 18% do mercado de palmito”, informa.

Como cultivar o palmito pupunha

A pupunha é uma espécie que prefere solos arenosos e friáveis que apresentem boa drenagem e pleno sol. “Não aconselhamos o plantio em áreas onde há incidências de lebrões, capivaras ou outro tipo de roedor que possa prejudicar a cultura”, alerta Arthur Netto.

Como para qualquer outra cultura, ele avisa que é necessário o preparo adequado da área de plantio arando e gradeando, além da correção de acordo com a análise de solo. A pupunha exige solos de fertilidade média a alta, pH próximo ao neutro e textura média ou leve.

O espaçamento usado na cultura para a produção de palmito deve ser de 2 x 1 m, obtendo-se uma população de cinco mil mudas por hectare. Ao preparar as covas, o consultor recomenda o uso de esterco de curral ou de frango e o adubo de plantas.

“O controle das ervas daninhas é fundamental, pois a pupunha não suporta competição; no entanto, não é recomendada a capina de coroamento, pelo fato de o sistema radicular ser superficial. Opcionalmente, essa operação pode ser feita com os herbicidas ou a roçagem com máquinas, sem a necessidade de revolver o solo”, ensina.

A primeira colheita para comercialização do palmito ocorrerá após 18 meses do plantio. O corte deve ser realizado quando a planta estiver entre 1,60 ,e 1,80 m, valor medido da inserção da folha mais nova até o solo. É importante evitar o corte na época seca, pois compromete o rendimento do palmito e a sua maciez.

O corte das plantas deve ser realizado quando elas atingirem um diâmetro perto do solo, entre nove e 15 cm, na idade de 18 meses após o plantio.

Critérios para máximas produtividades

O cultivo de pupunha é como o de qualquer outra cultura. Arthur Netto explica é preciso preparar adequadamente o solo, realizar o plantio no período das chuvas e o controle das ervas daninhas, além de adubar, sempre que necessário, para que a planta receba os nutrientes indispensáveis para o seu desenvolvimento.

Pesquisas

Pesquisas avançam para indicações de múltiplo uso da pupunheira: componente na fabricação de ração, frutos para consumo humano e fabricação de farinhas para panificação e biodiesel.

Arthur Netto esclarece que o palmito pupunha tem excelente aceitação de mercado, por ser muito macio e saboroso. Segundo a pesquisa da consultoria Nielsen, encomendada pela Inaceres, empresa líder no setor, a participação do palmito pupunha (cultivado) no mercado nacional pulou de 19,5%, em 2009, para 24% em 2010, com tendência alta em 2011.

Ao mesmo tempo, o palmito de extrativismo recuou de 80% para 76% em participação de mercado. Apesar da grande distância, essa é uma sinalização importante que segue uma tendência já consolidada nos demais países produtores.

Mundialmente, o mercado para palmitos movimenta R$ 350 milhões. O Brasil representa a maior parte disso (74,3%), conforme a pesquisa, com estimadas 45 mil toneladas de palmito por ano. Se a aceitação do produto já era grande, a renda mais alta do brasileiro fez o apetite ficar ainda maior.

Em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, por exemplo, a pesquisa apontou um crescimento de vendas de 481% do palmito cultivado entre 2009 e 2010, enquanto o segmento como um todo cresceu 42%. A região Sul, maior compradora do palmito extrativo juçara, também está mudando seu hábito de consumo: a demanda por palmitos de extrativismo recuou 5,4% no mesmo período, contra uma alta de 78% do cultivado.

Valor agregado

Existe um alto valor agregado na venda do palmito pupunha. “O tolete do palmito é a parte mais nobre e custa, em média, R$ 22,00/kg quando comercializado na forma minimamente processada; picado, R$ 15,00/kg; e rodela, R$ 17,00/kg – estes são os tipos mais comercializados”, define Arthur Netto.

Ainda segundo o consultor, o custo de implantação é elevado (cerca de R$ 8.500,00 por hectare), sendo a primeira colheita realizada a partir de 18 meses, considerando três anos para regularizar a constância na colheita.

Vale a pena?

De boa aceitação no mercado, o palmito pupunha é uma alternativa ecológica ao palmito tradicional, cuja extração na natureza quase sempre ocorre de forma ilegal. O cultivo do palmito pupunha tem vantagens em relação ao do palmito tradicional. Como a bananeira, a palmeira pupunha rebrota, o que permite o corte continuado para a produção de palmito, sem gerar custos de replantio a cada corte.
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Fonte: Revista Campo e Negócios HF