O agronegócio brasileiro deve mesmo sentir um pequeno impacto gerado  pela crise europeia em 2012, dada a expectativa de retração da demanda  internacional por commodities agrícolas, que acarretará a queda dos  preços dos grãos. A afirmação foi feita durante a 44ª reunião do Conselho  Superior do Agronegócio (Cosag) ligado a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada nesta segunda-feira (28) em São Paulo.

A crise financeira vivida pela Europa este ano deve mexer com o mercado agrícola mundial no próximo ano, afetando a demanda por commodities e reduzindo os ganhos dos produtores do campo. Outro fator para a redução dos ganhos são os custos de produção, que devem se manter elevados. Entretanto, a palavra de ordem do setor no Brasil é otimismo, já que, apesar da queda esperada dos preços, 2012 deve gerar a segunda melhor renda ao produtor dos últimos anos.

“Apesar da expectativa de queda de preço das commodities, a renda agrícola de 2012 ainda estará em patamares muito altos. É provável que tenhamos nos grãos a segunda melhor rentabilidade dos últimos anos, só perdendo para 2011. Ou seja, em 2012 o produtor terá uma renda menor que este ano, ou a segunda melhor renda dos últimos anos”, avaliou André Pessoa, sócio-diretor da empresa Agroconsult, durante apresentação a representantes de todas as cadeias do agronegócio brasileiro.

Pessoa contou que essa retração da demanda também ajudará os principais países produtores de grãos a recuperar seus estoques, que seguiam reduzidos desde 2008. “Do ponto de vista dos fundamentos, a crise traz uma consequência que é começar a contaminar a demanda no mundo, não só na Europa, mas com reflexos em outras regiões. Em tese, a demanda já está um pouco mais fraca, o que gera a possibilidade de recomposição dos estoques em países produtores”, disse ele.

Já os custos de produção devem mesmo seguir os patamares mais elevados vistos neste ano, afirmou Pessoa, que acredita que o dólar deve voltar a se valorizar, puxando consigo os valores dos fertilizantes e agrotóxicos, em grande parte importados pelo Brasil. “Com uma renda menor e os custos parecidos com 2011, o produtor terá uma margem de lucro menor, não ficará apertado, ficará menos folgado”, indicou o consultor da Agroconsult.

Para a secretária de Agricultura de São Paulo, Mônica Bergamaschi, também presente ao encontro, nem os custos mais altos nem a margem menor irá desanimar os produtores. “Ainda que 2012 não seja um ano de renda tão alta quanto foi 2011, ele será espetacular do ponto de vista do produtor, e isso é muito interessante. Tivemos aumento de custo, e vamos ver como estará o dólar, e a crise na Europa, para que possamos nos programar daqui para a frente”, acrescentou a executiva.

Produção

No encontro o Cosag também divulgou suas expectativas em relação à safra das principais culturas brasileiras, destacando possíveis recordes das safras de milho e de soja no Brasil na safra 2011/2012.

De acordo com André Pessoa, a safra de milho deve mesmo superar 65 milhões de toneladas nas duas safras cultivadas no País. “A única dificuldade que os produtores apontaram em nosso levantamento diz respeito às sementes: em algumas regiões, o insumo perdeu seu vigor por ter sido colhido durante o excesso de chuvas da safra anterior. Mas isso já era esperado pelos produtores, que estão reforçando a quantidade de sementes no plantio para garantir uma boa produtividade”, ressalta Pessoa.

Na sojicultura a expectativa é ainda mais otimista, visto que o período de plantio do grão está chegando ao fim, com a colaboração do clima, fato que pode trazer ao Brasil a quebra do recorde de produção. “Revimos os montantes da produção de soja para 2012, e aumentamos a previsão de 73,3 milhões para pouco mais de 74 milhões, mas com viés de alta, dado que o desempenho no campo até agora é extremamente favorável. Não será surpresa para mim se essa safra superar a marca de 75 milhões e atingir o recorde”, garantiu Pessoa.

Já a previsão para a próxima safra de cana de açúcar continua a ser um dos os problemas da agricultura brasileira. Para Mônica Bergamaschi, apesar de os índices de renovação dos canaviais estarem mais altos, o setor ainda está longe de uma recuperação. “O que mais preocupa é a questão do etanol, pois a recuperação do canavial não é tão rápida, e teremos sem dúvida a pressão da demanda. O que vimos é que a safra de cana 2011/2012 está muito aquém do esperado. Este ano tivemos uma quebra que pode chegar a 20% e não sabemos como ficará a próxima safra”, finalizou ela.

Pessoa lembrou que apesar do ritmo lento, os índices de renovação dos canaviais já estão mais altos. “Já existe um crescimento, 18% de canaviais renovados, ante os 11% que víamos no ano passado, e isso é bom”, ressaltou ele.

Fonte: DCI