Espécie madeireira de rápido crescimento, pau-de-balsa pode ajudar na diversificação da produção e no reflorestamento acelerado de áreas degradadas

O crescimento rápido é a principal contribuição do pau-de-balsa (Ochroma pyramidale) dentro de um sistema de silvicultura. Nos plantios comerciais, a árvore atinge o ponto de corte entre quatro e seis anos e, por isso, pode ser uma alternativa para quem estiver interessado em fazer diversificação de espécies de árvores. Já com fins de preservação permanente, pode ser usada em plantios mistos destinados à recomposição de áreas degradadas.

Atualmente, no Estado de Mato Grosso é usada para fins de reflorestamento. O estado é o maior produtor, com uma área aproximada de 7.900 hectares, segundo a Cooperativa de Produtores de Pau de Balsa de Mato Grosso (Copromab).

Rápido crescimento: entre quatro e seis anos, árvores estão prontas para corte comercial
Rápido crescimento: entre quatro e seis anos, árvores estão prontas para corte comercial

 

De acordo com o pesquisador Maurel Behling, da Embrapa Agrossilvipastoril, a árvore pode chegar a 25m de altura e até 60cm de diâmetro. Possui tronco reto, com poucos ramos ascendentes e distanciados, que formam uma copa aberta e irregular. Ramos jovens, grossos, com cicatrizes foliares e estípulas verdes ou verde-pardacentas. A casca é lisa, mas lenticelada e com estrias lineares, de cor clara, às vezes parda ou parda-acizentada e com manchas esbranquiçadas e até 1 cm de espessura. A copa é aberta e ampla e pode alcançar até 18 m de diâmetro. As folhas são simples, alternas e dispostas em espiral, apresentam pecíolo longo e 5 a 7 nervuras principais. O ápice da folha é arredondado ou subagudo e a base cordiforme. As flores são solitárias, vistosas, aromáticas, com 10-15 cm de largura e 7-9 cm de diâmetro e apoiadas por pedúnculos largos e grossos. O fruto é uma cápsula loculicida quase cilíndrica, lenhosa, de 10 a 25 cm de comprimento e 2 a 3 cm, excepcionalmente, 5 cm de diâmetro.

“O tempo de crescimento para corte comercial é de 4 a 6 anos, vai depender da qualidade do sitio, pode-se esperar até 08 anos, depois desse tempo a madeira começa a perder qualidade, saturação da base do tronco (coração vermelho), após 12 a 14 anos as árvores começam morrer”, explica Behling.

O máximo de corte vai depender do manejo silvicultural adotado. Pode-se fazer um plantio adensado e realizar desbastes intercalares (um ou dois) antes do corte raso, manejo, recomendado para produtores com baixo nível tecnológico (material genético ruim e pouco manejado). Somente o corte raso, espaçamentos mais amplos, bom material genético, bom trato silvicultural (elevado nível tecnológico).

Sua madeira de baixa densidade tem emprego principal na confecção de laminados. É usada também para a fabricação de vários outros produtos como papel e celulose em função das fibras bastante longas e de produzir um tipo de celulose de alta qualidade com um grau de rendimento entre 45 a 50%.

“Atualmente, o principal mercado é a construção de hélices eólicas. Também é usada como isolante, em embalagem de gêneros alimentícios, isolante térmico e acústico, maquetes de arquitetura, diafragma de microfones, botes salva-vidas, painéis para a forração de tanques de armazenamento em navios, aeromodelismo e nautimodelismo, para anzóis de pesca etc”, observa o pesquisador.

Cautela
Ainda segundo Behling, o mercado mundial comercializa em torno de 150 mil m³/ano de madeira de pau-de-balsa, movimentando em trono de US$ 71 milhões. Os principais compradores são os Estados Unidos (50%), China, Índia etc. A Empresa Alcan Baltek (3A Composites) domina 70 % do mercado mundial.

No ano de 2005 a madeira beneficiada de Pau de Balsa obteve seu maior preço, chegando a ser negociado a US$ 441,00 m³. Em 2006, registrou-se queda e nos anos de 2007 e 2008 houve uma recuperação no preço atingindo US$403,00. Em 2009, devido ao declínio da demanda, resultado da crise econômica registrada nos EUA (principal importador), o preço da madeira beneficiada chegou a ser comercializada a US$ 240,00, queda de mais de 40% em relação ao ano anterior.

“No Brasil, como não existe um mercado consolidado para absorver a madeira oriunda de plantios de pau-de-balsa, o preço do metro cúbico é modesto, varia de R$ 100,00 a 150,00/m³ da árvore em pé. Existem também, dados que indicam a comercialização da madeira por US$ 60,00/m³, no mercado internacional. Porém, a recomendação uma visão conservadora para elaboração de projetos no Brasil, ou seja, considerar, o preço estimado para venda da madeira em pé de R$110,00/m³”, afirma.

Behling lembra ainda que não há números consolidados de custo de implantação. De forma geral eles são elevados, acima de R$ 3500,00 por hectare, isso ocorre principalmente pelo uso de técnicas não adequadas, o que eleva o custo de implantação, há o revolvimento intenso do solo em detrimento ao cultivo mínimo.

Expectativas
Espécies florestais de rápido crescimento como o pau de balsa (em torno de três a sete anos) têm sido apontadas como possível alternativa para reduzir a pressão do desmatamento de áreas nativas associado ao potencial para recuperar áreas degradadas e sua utilização em sistemas de integração lavoura pecuária floresta (ILPF). No entanto, pouco se conhece sobre o manejo de povoamentos homogêneos de pau-de-balsa, principalmente, devido à falta de estudos.

Apesar do grande potencial que possui, o pau-de-balsa ainda busca a consolidação e ampliação de seu mercado no Brasil. As expectativas, entretanto, são de que em um futuro próximo o pau-de-balsa possa se consolidar com um mercado interno competitivo e com bom valor agregado, assim como já ocorre no mercado internacional.

“Se pensarmos no mercado internacional, o pau-de-balsa tem potencial muito interessante até mesmo pelo aumento na demanda por geradores eólicos, para a produção de hélices eólicas. Também podemos considerar o potencial desta espécie para outras aplicações como carrocerias de automóveis, embarcações e também com potencial para mercados alternativos como a composição de lâminas, dando uma leveza maior as chapas de compensados. Há ainda a própria indústria moveleira, associando a beleza da teca e do mogno com a leveza do pau-de-balsa, ou seja, criação de um nicho de mercado moveleiro que absorva parte da madeira”, finaliza.

Fonte: Portal Dia de Campo