A economia global está em meio a uma recessão. Para realizar uma análise da agropecuária brasileira em perspectiva para 2012 precisamos levar em conta o panorama externo

A volatilidade do mercado de ações internacional influencia diretamente os preços das commodities agrícolas no pregão futuro. Se os Estados Unidos conseguirem dizer como cortarão US$ 1,2 trilhão dos gastos públicos em 10 anos e a União Europeia se estabilizar, o caminho estará livre para o crescimento médio de 2% a 5% no consumo de alimentos no mundo. Mas se países importantes do bloco europeu sucumbirem com os EUA titubeando haverá um  impacto geral nos preços das commodities, fazendo com que os fundos investidores migrem para portos mais seguros (ouro, moedas, etc).

O primeiro semestre de 2012 no Brasil será reflexo direto dos bons ventos do terceiro trimestre de 2011. As exportações brasileiras bateram recordes nos principais produtos neste ano que finda. Logo, o mercado externo seguirá essa tendência até abril/maio/2012, podendo continuar na mesma toada dependendo do que ocorrer no mercado externo.

Bolsas em  alta, dólar em queda. Na minha ótica o dólar pode operar entre estável, leve alta a leve queda, estabilizando entre R$ 1,80 a R$ 1,95, variando neste range (parece que estou atirando pra todo lado, mas a conjuntura externa está desse jeito, louca). O primeiro trimestre do próximo ano vai determinar se os preços ficarão nesses patamares. Quanto pior o cenário externo mais alta a moeda e o inverso também é recíproco. A Bolsa de Valores brasileira será um bom investimento para 2012, pós um ano de caos.

O petróleo segue  a mesma regra do dólar e do euro. O Crude Oil em Nova York teve um ano voltátil com um período de alta contínua entre janeiro a maio, depois caiu até outubro e voltou a subir até dezembro, chegando aos US$ 99,00/100,00 o barril. Tão volátil quanto o dólar, o petróleo reflete os conflitos em países produtores no oriente médio.

Aliás, paralelamente ao caos financeiro europeu, as guerras civis, o terrorismo e o clamor pela democracia nos países árabes são fatores que influenciam o preço do petróleo, e,  por consequência as commodities. A saída dos EUA do Iraque pode ser um fator importante nesse tabuleiro externo.

Agronegócio brasileiro segue crescendo

O governo brasileiro tenta manter a meta de inflação em  4,5% ao ano com variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Para equilibrar essa  meta, a  taxa de juros Selic que está em 11,5% anuais pode variar. Para o primeiro trimestre de 2012, a Selic pode ficar em 10% a.a., a depender do consumo doméstico, se tiver freado, a Selic pode atingir 9% até setembro/outubro. Conforme o que ocorrer no mundo e internamente a taxa pode tanto subir como se estabilizar.

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro deve crescer acima de 6,12% em 2011,  atingindo R$ 822,9 bilhões, superando os 3,1% projetados para a economia brasileira, de acordo com dados da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Acredito que devamos atingir algo em torno de 7% a 8,5% em 2012, principalmente com a expectativa da expansão das exportações do etanol aos Estados Unidos que vai ampliar investimentos no setor sucroalcooleiro no Brasil.

Para a agroindústria brasileira, uma Selic baixa reflete em mais investimento, portanto, veremos mais crescimento pontuais e de maneira geral. O governo poderia mexer nos impostos para melhorar emprego e renda no setor, mas com isso é utopia, a agroindústria continuará crescendo mirando o consumo interno e externo.

As grandes corporações continuarão crescendo. BRF, Marfrig, JBS, Minerva, Bunge, Monsanto, entre muitas outras que já definiram suas estratégias e a julgar dos recentes resultados, 2012 (até o final poderá ser positivo, exceto se houver algum tropeço individual).

Fonte: www.agroblogbrasil.com.br