O agronegócio brasileiro mostra-se otimista em um horizonte de longo prazo, mesmo com ameaça de crise internacional e quebra de safra no Sul este ano. Em sondagem feita pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) com 100 pessoas ligadas ao setor, 67% dos pesquisados confiam que 2013 será melhor para os negócios que 2012. A pesquisa levou em conta que a safra deste ano já está formada e que os empresários planejam a produção que será colhida no ano que vem.

No universo total da sondagem, 55% são produtores; 25% consultores; e 20% representantes da cadeia de agronegócios. A maioria dos entrevistados (56%) também considera que a economia em 2013 estará melhor do que a projetada para 2012. Para este ano, os empresários apostam em um crescimento pouco acima de 3% para a economia brasileira, com inflação entre 5% e 6% ao ano.

A esmagadora maioria (97%) alertou, no entanto, que infraestrutura, logística e transporte ainda são os principais entraves para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro em um período mais longo. Na análise do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues os preços das commodities continuarão em alta em 2012, puxados pela demanda chinesa. Isso, na prática, vai conferir ganhos aos empresários do setor, principalmente entre companhias de grãos voltadas para exportação.

Rodrigues admitiu que não há garantias de que a China continue a mostrar taxas de crescimento em elevado patamar, de magnitude equivalente à dos últimos dois anos, e considerou que há a possibilidade de retração na procura mundial por commodities, caso o crescimento chinês desacelere de forma mais intensa. “É possível. Mas não é a hipótese de que está se delineando”, afirmou.

Ele minimizou o impacto dos recentes problemas de seca no Sul no desempenho da produção nacional de grãos. A quebra da safra, disse, é localizada. Rodrigues participa de cerimônia em homenagem aos 115 anos da SNA, no Rio. Também presente ao evento, a presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu, afirmou que, no curto prazo, a maior ameaça ao agronegócio brasileiro seria uma piora do cenário europeu.

O mesmo alerta partiu do presidente da SNA, Antonio Alvarenga. “Não podemos nos esquecer de que 25% das exportações do agronegócio brasileiro têm como destino a Comunidade Europeia. Mas creio que, com boa dose de sacrifícios, eles superarão seus problemas”, afirmou Alvarenga.