Leite de bubalino é mais valorizado no mercado devido às altas taxas de gordura, proteína e minerais

Kamila Pitombeira
21/11/2011

BúfalosCom grande potencial e rusticidade, os bubalinos ganham espaço na pecuária leiteira. Sendo possível criá-lo em qualquer condição de clima ou solo no estado do Paraná, o manejo é facilitado quando comparado aos bovinos. Além disso, os resultados apresentados por esses animais são extremamente difíceis de serem alcançados com bovinos. Com média de natalidade em torno de 85%, os animais produzem aproximadamente 7l de leite por dia, produto muito valorizado no mercado devido à sua riqueza em gordura, proteína e minerais.

Segundo José Lino, pesquisador na área de zootecnia do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), a diferença entre bubalinos leiteiros e bovinos leiteiros é a rusticidade do animal, ou seja, é possível produzir com bubalinos em condições de manejo mais simples do que com o rebanho bovino. Por isso, a rotina de ordenha de um produtor que já está habituado a trabalhar com gado bovino não seria alterada.

— Na questão da alimentação, por exemplo, os búfalos são mais capazes de transformar forrageiras mais grosseiras em alimento de qualidade, nesse caso, o leite — conta o pesquisador.

Quando comparada a animais de raça especializada, a produção leiteira de uma búfala pode parecer uma produção pequena, como diz Lino. Nos trabalhos conduzidos no Iapar, ele conta que tem-se obtido uma produção leiteira em torno de 7l por dia.

— No entanto, pela riqueza de gordura, proteína e minerais, essa matéria-prima, quando trabalhada no laticínio, resulta em uma eficiência maior em comparação ao leite bovino. Para produzir 1kg de queijo a partir de leite de búfala, são necessários 6l de leite. Fazendo a mesma analogia com o gado bovino, serão precisos 10l de leite para obter o mesmo quilo de queijo — explica.

Levando em consideração os agroecossistemas que compõem um sistema de produção de leite de búfala, ou seja, solo, planta e animais, o pesquisador afirma existirem algumas particularidades. Em relação aos solos, por exemplo, há restrição ao uso de produtos químicos. Nesse caso, lança-se mão de adubos verdes e esterco.

— Na questão das forrageiras, procura-se consorciar gramíneas com leguminosas, de tal forma que consigamos atender às necessidades da planta em termos de produção. Já em relação aos animais, onde existe o impedimento do uso de medicamentos alopáticos, como antibióticos, vermífugos e carrapaticidas, temos empregado fitoterápicos para a manutenção do manejo sanitário — conta.

Há uma diferença entre o preço do leite de búfala e de vaca. Essa diferença decorre do melhor rendimento industrial e déficit da matéria-prima no mercado, segundo o entrevistado. Por isso, seria um erro dizer que o búfalo é menos produtivo ou que rende menos ao produtor. Além disso, a média de natalidade do rebanho bovino no Estado do Paraná é de 60%. Já no rebanho bubalino, ela gira em torno de 85%.

Fonte: www.diadecampo.com.br