As barreiras impostas aos criadores de gado do Rio Grande do Norte provocaram uma repercussão negativa com os comerciantes e criadores de outros estados

As barreiras impostas aos criadores de gado do Rio Grande do Norte provocaram uma repercussão negativa com os comerciantes e criadores de outros estados.  Entre os participantes estava o produtor rural Leoni Rugueri, que é há muitos anos produz soja, milho e algodão. Só na região de Campo Verde cultiva há 34 anos. “Comecei a utilizar a Agricultura de Precisão há pouco tempo, mas sei que os resultados não irão aparecer do dia para noite”, afirmou. “A minha expectativa é uniformizar o solo da propriedade nessa primeira safra”, antecipou.

Para Rugueri o evento é de grande importância para o setor, tanto que ele trouxe os administradores das duas fazendas que é proprietário. “Hoje o produtor usa a Agricultura de Precisão ou está fora do mercado. Não temos como voltar ao passado”, concluiu. “Vi aqui muitos estudantes, o que é muito interessante já que são os futuros produtores e trabalhadores rurais”.

O evento faz parte de uma série de 10 seminários realizados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural Nacional (SENAR) em todo o país. Em Campo Verde o evento foi realizado em parceria com o Senar-MT e sindicato rural do município. O seminário foi aberto pelo vice-presidente do Sindicato Rural de Campo Verde Gladir Tomazelli, que ressaltou a importância da contínua capacitação dos produtores e trabalhadores rurais. “A parceria com o Senar-MT só traz bons frutos a Campo Verde. E este é mais um que vem para melhorar a vida de quem trabalha no setor rural”, afirmou.

O gerente de Aprendizagem Rural do Senar-MT, Marciel Becker, agradeceu aos parceiros pela organização do Seminário Agricultura de Precisão no Estado como a Aprosoja, AMPA, Coorperflora e sindicatos rurais da região de Campo Verde, Chapada dos Guimarães, Primavera do Leste, Dom Aquino, Jaciara e Rondonópolis. “Essas entidades colaboraram na divulgação e mobilização de pessoas para o seminário ocorrer com esse número de participantes”, revelou. “O objetivo do Senar-MT ao trazer eventos como este é fazer com que os mais diversos conhecimentos cheguem ao produtor rural para que ele possa tomar a decisão mais assertiva para sua propriedade”, afirmou. “Sabemos que as máquinas adquiridas hoje já vêm embarcadas com tecnologias que o produtor precisa saber utilizar da melhor forma possível. Defendemos que o produtor faça a aquisição de tecnologia sim, mas que seja baseada em uma gestão de propriedade”, declarou.

Para o gestor de projetos em Agricultura de Precisão do SENAR Nacional, Victor Ferreira, não é o simples fato de comprar uma máquina de última geração que garante ao produtor a Agricultura de Precisão. “Esses seminários vem abrir um leque de opções de conhecimento para o produtor. Para fazer Agricultura de Precisão é preciso de planejamento: coletar dados, gerenciar por meio de mapas, tem que olhar sua propriedade de forma diferente, conhecer essa terra e assim, futuramente, tomar a decisão se vai comprar uma tecnologia embarcada em uma máquina ou não”, resume.

Segundo o pesquisador Ricardo Inamasu, da Embrapa Instrumentalização, a Agricultura de Precisão não é nada mais do que reaproximar o homem da terra, lembrar ao produtor da importância de respeitar o meio ambiente e do cuidado com a terra. “Estamos chamando eles pela sua missão, pois Agricultura de Precisão significa respeitar as diferenças. É uma postura gerencial que leva em conta a variabilidade espacial para aumentar o retorno econômico e minimizar o efeito negativo ao meio ambiente”, avaliou.

A palestra do professor José Molin, da ESALQ/USP, seguiu no mesmo tom. Ele explica que a agricultura tradicional trata a propriedade como uniforme, quando nenhuma é. Sabendo dos pontos fortes e fracos do seu território o produtor pode criar mecanismos de otimização dos recursos. “A Agricultura de Precisão envolve um conjunto de possíveis estratégias de gestão: reduzir o uso de insumos; aumentar a produtividade; melhorar a qualidade do produto e aumentar a lucratividade”, defendeu.

Fonte: Expresso MT